Agricultura. Colheita de arroz. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 06 Mar (AIM) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu hoje o reforço da cooperação agrícola entre Moçambique e Tailândia, com destaque para a produção de arroz e a transferência de tecnologia para aumentar a produção local.
O posicionamento foi expresso esta sexta-feira (06), em Maputo, pelo vice-presidente da CTA, Amâncio Gume, durante um encontro entre empresários moçambicanos e uma missão empresarial da Tailândia.
Segundo Gume, Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, além de recursos hídricos e condições climáticas favoráveis à produção agrícola.
“Moçambique possui 36 milhões de hectares de terra arável, vastos recursos hídricos e condições climáticas que permitem múltiplas colheitas ao longo do ano. No entanto, apenas uma pequena parte desta terra está plenamente explorada”, afirmou.
O representante acrescentou que o país continua a importar grandes quantidades de arroz, situação que abre espaço para investimento na produção local.
“Moçambique importa anualmente centenas de milhares de toneladas de arroz. Grande parte vem da Tailândia. Isso significa que existe um mercado interno garantido para quem estiver disposto a investir na produção local, na irrigação, mecanização e processamento industrial”, disse.
Gume sublinhou que a experiência e tecnologia da Tailândia no sector agrícola podem contribuir para desenvolver cadeias produtivas em Moçambique.
“Moçambique não quer ser apenas um mercado de importação. Queremos ser um centro de produção, industrialização e exportação para toda a região da SADC”, afirmou, acrescentando que a CTA está disponível para apoiar parcerias entre empresas dos dois países.
Por sua vez, o representante do Ministério da Economia, ligado à Direcção de Apoio ao Sector Privado (DASP), Alfredo Nampuio, destacou que Moçambique possui regiões com condições favoráveis para o cultivo do arroz.
“Olhando para o potencial agrícola do país, temos a zona norte, sobretudo áreas costeiras, a província da Zambézia, com tradição na produção de arroz, e também o Vale do Chókwè, no sul, que reúne condições favoráveis para este tipo de cultura”, explicou.
Segundo Nampuio, o país também dispõe de infra-estruturas logísticas para apoiar a produção e exportação.
“Temos corredores logísticos no norte, centro e sul, que podem facilitar o escoamento da produção. Contamos igualmente com o Porto de Nacala, de águas profundas, capaz de receber navios de grande porte”, acrescentou.
Durante o encontro, empresários moçambicanos levantaram questões sobre transferência de tecnologia, mecanização para pequenos produtores e aumento da produtividade do arroz.
Em resposta, o representante da delegação empresarial da Tailândia, Phong Mekthipphachai, explicou que o seu país possui experiência consolidada no sector agrícola e está disponível para partilhar conhecimentos.
“Podemos mostrar todo o processo de produção do arroz, desde o início até ao final. Inclui técnicas de cultivo, escolha de fertilizantes e adaptação às condições climáticas”, explicou.
Acrescentou que produtores estrangeiros podem visitar a Tailândia para conhecer, no terreno, os métodos utilizados no país.
“Temos associações de produtores que recebem visitantes para aprender directamente no campo. Às vezes organizamos workshops de um dia para mostrar todo o processo”, afirmou.
Segundo o empresário, a actual conjuntura internacional reforça a importância de os países fortalecerem a produção local de alimentos.
“O mundo mudou. Os custos de energia e de logística aumentaram e isso afecta o comércio internacional. Por isso, é importante que os países desenvolvam a sua própria capacidade de produção”, concluiu.
O encontro terminou com uma sessão de networking entre empresários dos dois países, destinada a explorar oportunidades de cooperação e identificar possíveis projectos conjuntos.
(AIM)
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