Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, participa na investidura do Presidente eleito de Portugal António José Seguro
Lisboa, 09 Mar (AIM)- Moçambique, na voz do seu chefe de Estado, Daniel Chapo, espera ver “reforçadas, aprofundadas e elevadas a novos patamares, em prol do contínuo bem-estar” dos dois povos, as tradicionais e excelentes relações” com Portugal.
Estas relações estão “alicerçadas em factores históricos e culturais e na defesa de valores partilhados como a democracia, liberdade, solidariedade e paz”.
A reacção de Daniel Chapo foi depois de ter escutado atentamente o discurso do presidente português empossado esta segunda-feira (09), em Lisboa, António José Seguro, no seu primeiro discurso após a posse, numa sessão solene na Assembleia da República (AR), o parlamento português.
Embora em Portugal o Presidente da República não tenha funções executivas, a sua magistratura pode, na verdade, influenciar o Governo de direita da AD Coligação PSD/CDS-PP, chefiado por Luís Montenegro, daí que Daniel Chapo sublinhou que recebeu o discurso de Seguro com “alegria e satisfação”. Portugal, segundo o chefe de Estado moçambicano, “é um parceiro estratégico de Moçambique”, com várias empresas que trabalham no país.
Numa breve declaração à RDP/África, Chapo disse que “estamos interessados em receber, em Moçambique, o mais breve possível, a visita” do novo Presidente da República portuguesa.
É de sublinhar que António José Seguro enfatizou no seu discurso que as presenças dos chefes de Estado de Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (PALOP) e de Timor-Leste simbolizam a força dos laços históricos, culturais e económicos que unem “os nossos povos e reafirmam os valores da cooperação, amizade e do diálogo que partilhamos”.
“Na sua diversidade, a comunidade lusófona demonstra que uma língua comum pode ser também a partilha de uma ambição maior: um projecto de desenvolvimento e de afirmação conjunta num mundo que precisa cada vez mais de entendimento e de paz”, disse.
É com essa consciência que Portugal assume as suas responsabilidades no plano internacional, procurando que a sua presença nos principais fóruns multilaterais, designadamente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, seja sempre um espaço de escuta e de representação das aspirações que partilhamos nesta comunidade de língua portuguesa”
Segundo Seguro, as alterações climáticas impõem urgência e responsabilidade. Moçambique é um dos países que tem sofrido com o impacto das alterações climáticas (cheias e secas fora do normal) devido a sua localização costeira.
“Nenhum país, por mais preparado que esteja, consegue enfrentar sozinho esta realidade brutal. E os países mais vulneráveis, até mesmo os mais cobiçados pelos seus recursos ou posições geoestratégicas, não têm a certeza de poder contar com a protecção da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional. Na verdade, até de alianças históricas e estruturantes do Ocidente, refere o novo PR.
Esta nova realidade, segundo ele, “exige mais rigor e empenhamento de todos nós”.
Alguns desafios que podem dificultar os desejos de ver alargada a cooperação bilateral elencadas por seguro
Simultaneamente, sublinha José Seguro, “Portugal enfrenta desafios estruturais que se arrastam há tempo de mais: crescimento económico insuficiente, economia baseada em baixos salários, desigualdades persistentes, pobreza constante, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça, burocracias publicas, dificuldades no acesso à saúde e à habitação, falta de mão-de-obra, escassez de oportunidades para os mais jovens, insegurança para os mais idosos, desconfiança nas instituições e na política”.
Infelizmente uma enumeração demasiada longa e pesada, diz o novo presidente português..
Acresce o esforço hercúleo de reconstrução e recuperação de uma parte significativa do território nacional devastado pelas catástrofes deste inverno (comboio de tempestades que deixaram o país inundado).
“Falemos claro: nenhum destes desafios se resolve com improvisação, com metas que se esgotam no imediato e dirigidas, exclusivamente, para um calendário eleitoral de egoísta conveniência”, adianta o PR.
A experiência do passado recente, de ciclos eleitorais de dois anos, não é desejável. “Tudo farei para estancar esse frenesim eleitoral”.
O rápido crescimento da extrema-direita que promove discurso tóxico de ódio ao imigrante é outra realidade que pode dificultar o relançamento da cooperação entre os dois países.
(AIM)
DM
