Maputo, 10 de Março de 2026 (AIM) – Um investimento de 22 milhões de euros em energias renováveis está a transformar o acesso à electricidade e impulsionar o desenvolvimento rural em Moçambique.
O montante foi aplicado no Projecto Energias Renováveis para o Desenvolvimento Rural em Moçambique (REDR2+), uma iniciativa conjunta entre o Governo moçambicano e o Reino da Bélgica que beneficiou milhares de cidadãos nas províncias de Nampula, Zambézia e Manica, através da electrificação rural e da introdução de sistemas de irrigação movidos a energia solar.
O projecto, cujo último encontro do Comité de Direcção teve lugar em Maputo, aproxima-se do encerramento formal marcado para 15 de Março de 2026, após quase oito anos de implementação desde o acordo assinado em 2018 entre os dois países.
O programa foi financiado com 22 milhões de euros, tendo sido implementado pela Agência Belga de Cooperação Internacional (Enabel) em parceria com o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), o Fundo de Energia, FP (FUNAE) e o Instituto Nacional de Irrigação (INIR).
A iniciativa visou expandir o acesso à energia limpa e sustentável nas zonas rurais, ao mesmo tempo que fomentou o desenvolvimento social e económico nas comunidades beneficiárias.
Na componente de electrificação, o projecto permitiu a construção de cinco mini-redes fotovoltaicas, distribuídas por duas províncias.
Na província de Nampula, foram instaladas duas mini-redes, localizadas em Muite e Milhana, no distrito de Mecubúri. Já na província da Zambézia, foram construídas três mini-redes nas localidades de Mugulama, Ilha de Idugo e Nagonha, situadas respectivamente nos distritos de Ile, Mucubela e Pebane.
No total, estas infra-estruturas permitiram 3.667 ligações eléctricas, beneficiando 18 mil moçambicanos, muitos dos quais passaram a ter acesso à electricidade pela primeira vez.
Além da melhoria das condições de vida, a electrificação contribuiu para reforçar a segurança comunitária através da iluminação pública e facilitar o funcionamento de serviços públicos nas zonas abrangidas.
O impacto do projecto estendeu-se igualmente ao sector agrícola, com a instalação de 508 sistemas de irrigação alimentados por painéis solares. Deste total, 310 sistemas foram instalados na província de Manica, 198 sistemas na província da Zambézia, ambos na região central.
As infra-estruturas foram dimensionadas para irrigar 426 hectares de terras agrícolas, dos quais, 312 hectares em Manica e 114 hectares na Zambézia.
Além disso, foram instalados 25 sistemas de irrigação em instituições de ensino, destinados à formação técnica e capacitação de estudantes nas áreas agrícolas e de gestão de sistemas de irrigação.
Durante o encontro do Comité de Direcção, o Secretário Permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, António Manda, destacou os efeitos positivos das infra-estruturas financiadas pelo projecto.
Segundo o responsável, a electrificação e os sistemas de irrigação criaram novas oportunidades económicas a nível local, dinamizando pequenos negócios e melhorando o acesso a serviços públicos essenciais.
(AIM)
