Preços dos combustíveis podem sofrer ajuste face à escalada internacional
Maputo, 31 Mar (AIM) – O Governo assegura a existência de combustível suficiente para cobrir todo o mês de Abril, mantendo-se os preços actualmente praticados no mercado interno.
A garantia foi dada hoje, em Maputo, pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, no briefing à imprensa, minutos após o término da 9ª sessão ordinária do Conselho de Ministros.
Segundo explicou, os navios petroleiros com combustível destinado ao país deverão efectuar descarregamentos entre os dias 14 e 16 de Abril, tendo as encomendas sido feitas aos preços então em vigor no mercado internacional.
“As encomendas que se prevê que cheguem ao mercado interno, no período de 14 a 16 de Abril, foram feitas aos preços em vigor, portanto, nas datas em que as empresas especializadas se mobilizaram no mercado internacional”, disse.
Tivane reconheceu, no entanto, que os preços internacionais dos combustíveis têm registado oscilações recentes, influenciadas pela actual tensão no Médio Oriente.
Ainda assim, garantiu que, com base nos dados disponíveis, não se prevê qualquer alteração de preços durante o mês de Abril.
“Estes são os dados que nós temos, porque as encomendas foram feitas antes de se registar uma alteração notável no choque no Médio Oriente”, afirmou, advertindo que o país poderá ser afectado caso o cenário internacional se agrave, dado tratar-se de um importador líquido de combustíveis.
O governante explicou que, caso as condições internacionais o justifiquem, poderá haver necessidade de ajustar os preços no mercado interno.
“Haverá necessidade de internalizar na estrutura de custos do mercado interno preços relativamente mais altos”, disse.
Acrescentou que o Governo continuará a assegurar as condições necessárias para o funcionamento da cadeia de abastecimento, incluindo o pagamento de encargos nas terminais oceânicas.
“Nós somos um país importador líquido de combustíveis; tudo o que o Governo fará é assegurar que os actores-chave na cadeia de distribuição disponham de condições para continuar a garantir o pagamento das encomendas”, afirmou.
Relativamente à escassez registada na última sexta-feira, na cidade de Maputo, Tivane explicou que a situação resultou de um consumo anormalmente elevado.
Segundo dados avançados, o consumo diário na capital, habitualmente estimado em cerca de dois milhões de litros, atingiu naquele dia aproximadamente quatro milhões de litros, sobretudo de gasolina e gasóleo.
Este aumento provocou uma ruptura temporária na cadeia de distribuição, desde os terminais até ao retalho, levando à falta de combustível em alguns postos de abastecimento.
“É natural, estamos num mercado competitivo; há bombas que esgotaram a quantidade de combustível nos seus reservatórios, outras continuaram a fornecer”, disse.
Entretanto, noutras cidades, como Nampula e Beira, a situação mantém-se estável, com consumos diários estimados em cerca de um milhão de litros e 600 mil litros, respectivamente.
(AIM)
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