Bombas de combustivel
Malabo, 29 Mar (AIM) – Moçambique tem reservas suficientes de combustíveis e navios em trânsito que asseguram o abastecimento até finais de Abril ou princípios de Maio, não havendo, para já, motivos de alarme, garantiu o Chefe do Estado, na noite de sábado, em Malabo.
Falando em conferência de imprensa que marcou o fim da sua visita de trabalho à Guiné Equatorial, o Presidente da República explicou que a actual tensão internacional, com destaque para a crise no Médio Oriente, poderá ter impactos globais, mas ainda não afecta de forma imediata o mercado nacional.
“Queríamos tranquilizar os moçambicanos que esta crise pode chegar um dia, mas neste momento não há razões de alarme”, declarou.
O estadista justificou a posição com base nos níveis de stock existentes e nas encomendas já efectuadas antes da subida dos preços no mercado internacional.
“Quando esta crise começou, já tínhamos muitos navios, portanto, ao nível do mar, com destino ao nosso país e que este combustível foi adquirido ao preço anterior”, disse, acrescentando que “para além do stock que nós temos ao nível do país, também temos navios petrolíferos que estão para atracar ao nível dos nossos portos”.
Segundo o Presidente, esta situação permite manter, temporariamente, a estabilidade de preços no mercado interno.
“Do cálculo que nós estamos a fazer […] até finais de Abril e princípios de Maio, ainda podemos ter a estabilidade de preços”, referiu.
Contudo, advertiu que o cenário poderá alterar-se caso a crise internacional persista.
“Se a guerra continuar […] podemos começar a ser afectados, por uma razão muito simples, porque já vão começar a chegar navios com um novo preço”, alertou.
O Chefe do Estado reconheceu igualmente que já se registam sinais de preocupação ao nível interno, sobretudo devido à circulação de informação falsas nas redes sociais.
“Tem havido um alarme ao nível do país que dia seguinte as bombas vão ficar sem combustível […] e também tem havido muita aderência, filas nas bombas de combustível”, disse.
Face a esta situação, apelou à calma e ao uso responsável dos recursos disponíveis, desencorajando a corrida aos postos de abastecimento.
Paralelamente, destacou a necessidade de os países reforçarem a sua capacidade interna de produção, como forma de mitigar os efeitos da subida dos preços dos combustíveis.
“Se o combustível for caro, consequentemente todo o produto vai encarecer”, explicou, sublinhando que os custos de transporte influenciam directamente o preço final dos bens.
Como resposta, defendeu o incremento da produção nacional, com ênfase na agricultura e na indústria.
“Temos que aumentar a produção e a produtividade […] isto vai fazer com que possamos diminuir o impacto do preço destes produtos no consumo diário”, afirmou.
O governante acrescentou ainda que a redução das importações poderá contribuir para aliviar a pressão sobre a economia interna.
A intervenção teve lugar à margem da participação do Presidente na cimeira da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), realizada em Malabo, onde foram debatidos, entre outros temas, os desafios económicos globais e a transição energética.
(AIM)
SNN /sg
