Maputo, 03 Abr (AIM) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que o pagamento de cerca de 700 milhões de dólares da dívida pública ao Fundo Monetário Internacional (FMI) constitui um sinal positivo de responsabilidade macroeconómica.
No entanto, defende que este esforço deve ser acompanhado por políticas internas orientadas para a promoção de um crescimento inclusivo e sustentável.
Em comunicado divulgado esta sexta-feira (03), a CTA afirma que o cumprimento das obrigações financeiras internacionais reforça a credibilidade do país e a confiança dos parceiros externos.
“O sector privado reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do Fundo Monetário Internacional, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do país”, refere o documento.
Segundo a organização, este passo contribui igualmente para consolidar a confiança dos parceiros externos e criar condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira.
Contudo, a CTA sublinha que a estabilidade macroeconómica deve ser acompanhada por medidas internas consistentes que impulsionem a produção nacional, o investimento privado e a competitividade da economia.
“O desafio que se coloca é garantir que este esforço seja complementado por políticas que estimulem a produção nacional, o investimento privado e a competitividade da economia”, destacou.
Neste contexto, o sector privado considera igualmente necessário que o Governo preste atenção às dívidas internas acumuladas, defendendo a sua liquidação progressiva como forma de dinamizar a economia doméstica.
A CTA reagiu também aos dados divulgados pelo Banco Mundial que colocam Moçambique entre os países com níveis mais elevados de pobreza.
De acordo com o comunicado, estima-se que mais de 60 por cento da população moçambicana viva abaixo da linha da pobreza, com maior incidência nas zonas rurais, onde persistem limitações significativas no acesso a serviços básicos, emprego formal e oportunidades económicas.
“Os dados recentemente divulgados sobre a pobreza exigem uma reflexão séria e construtiva”, afirmou a CTA, acrescentando que os indicadores de desenvolvimento humano continuam a evidenciar a necessidade de acelerar progressos nas áreas de rendimento, educação e saúde.
Para a organização empresarial, este contexto reforça a importância de aprofundar as reformas económicas em curso, com enfoque na dinamização da economia real e na criação de oportunidades sustentáveis para os cidadãos.
“O sector privado entende que este é um momento oportuno para consolidar uma agenda de crescimento assente na confiança, na previsibilidade e na cooperação entre os diferentes actores económicos”, sublinhou.
Neste sentido, a CTA encoraja a continuidade de esforços orientados para o reforço do ambiente de negócios, com maior estabilidade e previsibilidade regulatória, bem como para a facilitação do acesso ao financiamento e às divisas para o sector produtivo.
A organização defende igualmente a implementação de políticas fiscais equilibradas que estimulem o investimento, a promoção da produção nacional e das exportações, o investimento em infra-estruturas e no capital humano, bem como o fortalecimento do diálogo público-privado como pilar da formulação de políticas eficazes.
Segundo a CTA, Moçambique dispõe de um potencial económico significativo, cuja materialização depende da capacidade colectiva de alinhar políticas, mobilizar investimentos e fortalecer o papel do sector privado como motor do crescimento e da criação de emprego.
A organização reafirma ainda a sua disponibilidade para continuar a trabalhar em estreita colaboração com o Governo e parceiros nacionais e internacionais na identificação e implementação de soluções que promovam um desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.
(AIM)
NL/pc
