Pedro Paulino, coordenador do projecto Conecta Negocios
Pemba, 26 de Abr (AIM) – Um conjunto de programas de formações empresariais está a impulsionar uma transformação no desempenho das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) em Moçambique, com destaque para província de Cabo Delgado, uma região marcada por conflitos e choques climáticos, que limitam actividade económico, apesar do vasto potencial existente.
A iniciativa, enquadrada no projecto “Conecta Negócios”, coordenado pelo Ministério das Finanças, com financiamento do Banco Mundial, esta a formar cerca de 10.000 empresas, reforçando a sua capacidade de resposta às exigências dos grandes empreendimentos e promovendo a sua inserção nas cadeias de valor nacionais e internacionais.
Os dados foram avançados pelo coordenador do projecto, Pedro Paulino, em entrevista à AIM, à margem de uma missão de monitoria e avaliação do nível de implementação das acções junto das empresas beneficiárias.
Segundo Paulino, o programa foi concebido com uma abordagem estruturante, privilegiando a capacitação prévia das empresas antes da atribuição de subvenções.
“O escopo do projecto previa que as pequenas e médias empresas fossem capacitadas antes de receberem as subvenções. Portanto, tinha vários benefícios a nível das intervenções previstas, que era capacitar na gestão, capacitar na atitude, na percepção do negócio”, afirmou.
No terreno, os resultados começam a ser visíveis. Durante um encontro realizado na cidade de Pemba, envolvendo empresas beneficiárias de formação e financiamento, ficou evidente um impacto directo na melhoria da competitividade e produtividade, bem como na capacidade de integração destas unidades económicas em sectores exigentes, como petróleo e gás, turismo e retalho.
De acordo com Pedro Paulino, o programa mobilizou mais de 10 mil empresas, das quais cerca de 7.700 já concluíram com sucesso o ciclo de capacitação.
“No conjunto, foram mobilizadas mais de 10 mil empresas. Algumas foram desistindo por circunstâncias. Já cerca de 7.700 empresas terminaram esse ciclo”, detalhou.
Para além do reforço das competências de gestão e organização interna, o projecto tem igualmente promovido melhorias substanciais na qualidade de produtos e serviços, um factor determinante para a competitividade empresarial.
“As empresas também vão ter o benefício, e já estão a beneficiar-se algumas, de questões de qualidade. Qualidade de produtos, de serviços. Tivemos testemunhos de pessoas que já sabem lidar com clientes”, acrescentou o coordenador.
Um dos pilares desta transformação é o apoio à certificação internacional, com destaque para as normas ISO 9001 e ISO 14001, em colaboração com o Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ).
Este processo abre portas a mercados mais exigentes e contribui para a formalização e credibilidade das empresas moçambicanas.
Apesar dos avanços, o projecto enfrentou desafios estruturais, sobretudo ao nível da formalização empresarial e da literacia de gestão. “Achamos que elas capacitadas, elas formalizadas, já têm a possibilidade de participar em vários outros negócios que, por via da sua não oficialização, elas são excluídas”, sublinhou.
Áreas de formação do projecto, incluem empreendedorismo, gestão financeira, procurement de grandes empresas para compreender procedimentos de compra dos megaprojectos, gestão de qualidade, marketing digital, entre outros sectores.
(AIM)
Paulino Checo/
