Legenda: Ministro do Interior, Paulo Chachine discursa em Metuchira, província de Sofala, durante a abertura oficial do ano lectivo de 2026 da Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL)
Maputo, 02 Mai (AIM) – O ministro do Interior, Paulo Chachine, revelou sexta-feira que a onda de desinformação sobre o alegado atrofiamento de órgãos genitais masculinos já provocou 39 mortos e 74 feridos em várias províncias do país, sobretudo em Cabo Delgado, Nampula, Niassa e Zambézia, além da detenção de 132 pessoas alegadamente envolvidas em agressões físicas e linchamentos de cidadãos inocentes.
Falando em Metuchira, província de Sofala, durante a cerimónia de abertura oficial do ano lectivo de 2026 da Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL), Chachine classificou a situação como “deplorável e condenável”, advertindo que os boatos estão a semear pânico, desconfiança e violência, com graves consequências humanas e sociais.
“Este fenômeno, deplorável e condenável, que se manifestou pela primeira vez no dia 18 de Abril passado, em Cabo Delgado, já tem o registo de 93 casos, com 74 feridos e 39 óbitos”, declarou o ministro.
Perante a escalada da violência, o governante apelou à união nacional para travar a propagação de rumores e evitar novos ataques contra inocentes.
“Devemos nos unir contra este mal que, a prevalecer, poderá por em causa a nossa harmonia social”, afirmou.
Chachine considerou urgente desmontar a narrativa em torno do alegado fenómeno, que classificou como inexistente, sustentando que o objectivo é desviar a população do trabalho produtivo e criar focos de instabilidade social.
“São muitas vidas inocentes perdidas por causa de algo que não existe”, frisou.
Na sequência dos tumultos associados à circulação destes boatos, 132 pessoas encontram-se detidas por alegado envolvimento em actos de agressão e linchamento, segundo dados apresentados pelo ministro.
O governante apelou ainda às autoridades policiais para reforçarem a vigilância e actuarem de forma célere para abortar qualquer tentativa de difusão de informações susceptíveis de provocar desordem pública, ao mesmo tempo que instou a população a denunciar todas as manifestações que atentem contra a paz social.
A declaração foi feita à margem da abertura do ano académico da ESAPOL, ocasião em que o ministro também defendeu o reforço da disciplina e da qualidade da formação policial, mas foi o balanço trágico associado à onda de desinformação que marcou a sua intervenção.
(AIM)
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