Governadora da província de Manica, Francisca Tomás
Moçambique), 05 Mai (AIM) – A província de Manica, centro de Moçambique, regista já nove mortos e dez feridos, entre graves e ligeiros, na sequência de uma onda de boatos sobre alegada retracção de órgãos genitais masculinos através de toques corporais ou simples apertos de mão.
No mesmo contexto, 26 pessoas encontram-se detidas, em conexão com o linchamento e incitação à violência física.
Os dados foram avançados hoje pela governadora da província de Manica, Francisca Tomás, durante uma comunicação pública sobre a situação de segurança na província.
Segundo a governante, dos nove óbitos registados, quatro ocorreram no distrito de Gondola, dois no distrito de Manica, um em Vanduzi, um na cidade de Chimoio e outro no distrito de Báruè.
“Como podem ver, Gondola lidera a lista de distritos com mais mortes na nossa província. É um boato trazido por pessoas que vieram do norte de Moçambique. O problema que nos preocupa como governo e já estamos a levar a cabo uma série de acções para colocar fim a esta onda de boatos”, disse Francisca Tomás.
A governante considerou inconcebível que haja cidadãos que acreditem que um simples toque corporal, nomeadamente no ombro, ou um aperto de mão possa provocar atrofiamento de órgãos genitais masculinos.
“As pessoas não podem acreditar neste boato que causa violência entre os moçambicanos. É importante que a população perceba que é tudo uma desinformação para criar instabilidade na nossa província e no país, em geral”, acrescentou.
Na ocasião, assegurou que o Governo, através dos sectores da justiça e da saúde, tem vindo a acompanhar todos os casos reportados, sem que tenha sido constatada qualquer ocorrência de retracção ou atrofiamento de órgãos genitais masculinos associada ao alegado toque corporal ou aperto de mão.
“Portanto, exortamos a toda a população da província de Manica e do país, em geral, para se distanciar de todas as tentativas de desestabilização nas comunidades e renunciarem aquela situação que atenta contra a ordem e segurança ala públicas”, disse.
Francisca Tomás apelou ainda à população para se abster de fazer justiça com as próprias mãos, sublinhando que se trata de um acto criminal, punível nos termos da lei, e que compromete os esforços de manutenção da paz e harmonia social.
Refira-se que os dois casos mais recentes de linchamento popular ocorreram no passado fim-de-semana, na cidade de Chimoio e no distrito de Manica.
(AIM)
Nestor Magado (colaboração) / sg
