Maputo, 06 de Mai (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou forte preocupação com o esgotamento progressivo das reservas de gás natural nos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, explorados pela petroquímica sul-africana Sasol.
A preocupação foi expressa hoje, em Maputo, durante a abertura da 12ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, onde Chapo defendeu a necessidade de respostas não apenas técnicas, mas também coordenadas para garantir a segurança energética regional.
“Um dos desafios que mais tem preocupado a indústria de Moçambique, da África do Sul e de toda a região austral prende-se com a redução progressiva de reservas de gás nos campos de Pande e Temane”, afirmou o Chefe de Estado.
Perante uma realidade que classificou de “incontornável”, PR destacou que o Governo tem vindo a actuar com responsabilidade e sentido de urgência para assegurar a continuidade da produção de gás natural e a estabilidade energética no período entre 2020 e 2030.
Entre as principais soluções apresentadas está a criação da empresa Serviços Logísticos Integrados de Moçambique (SLIM), concebida para viabilizar uma unidade flutuante de armazenamento e liquefacção de gás no distrito de Inhassoro.
Segundo Chapo, esta infra-estrutura representa mais do que uma resposta imediata ao declínio das reservas.
“Representa uma escolha estratégica para garantir a segurança energética, proteger a base industrial existente e preparar o futuro energético da nossa economia e da região”, afirmou.
A ligação desta unidade ao gasoduto regional permitirá manter o abastecimento tanto a Moçambique como à África do Sul, além de outros mercados ao longo da região da SADC.
O Chefe do Estado destacou ainda o papel do gasoduto operado pela ROMPCO, classificando-o como um exemplo sólido de cooperação regional e parceria público-privada ao longo das últimas duas décadas.
Sublinhou que a estrutura accionista reflecte um compromisso partilhado entre Estados e sector privado para o desenvolvimento energético sustentável.
Ainda nas soluções, o Governo está a imprimir velocidade na coordenação para a implementação do projecto de Inhassoro, mobilizando a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e parceiros estratégicos para garantir uma execução célere e rigorosa. O processo será acompanhado ao mais alto nível, com monitoria directa do Conselho de Ministros.
Paralelamente, o PR encorajou a expansão da rede regional de gasodutos, com o objectivo de posicionar o gás moçambicano como catalisador da integração energética e do desenvolvimento económico da África Austral, olhando para países como Eswatíni, Zimbabué, Zâmbia, Maláui e, numa fase futura, a República Democrática do Congo que poderá beneficiar desta dinâmica.
Para além da resposta imediata ao declínio das reservas, Chapo destacou a necessidade de investir em infra-estruturas integradas, incluindo portos, caminhos-de-ferro, energia e logística, como pilares para transformar Moçambique num centro regional ao serviço da SADC e do continente africano.
(AIM)
Paulino Checo/
