Maputo, 27 de Outubro de 2026 — O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Moscovo, maior coordenação entre países produtores e consumidores de gás natural, num contexto de crescentes desafios à segurança energética mundial, e afirmou que Moçambique está a desenvolver projectos que poderão elevar a sua capacidade de exportação para mais de 35 milhões de toneladas por ano.
Falando na 8.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás (GECF), o Chefe do Estado considerou que a segurança energética depende de mercados estáveis, fornecedores fiáveis e relações de confiança entre os intervenientes do sector.
«Nenhum país pode construir a sua segurança energética isoladamente», afirmou Daniel Chapo.
Defendeu o reforço do diálogo e da concertação entre produtores e consumidores, de modo a garantir que a soberania energética de uns não seja construída à custa da insegurança energética de outros.
Na intervenção subordinada ao tema “Situação Actual no Mercado do Gás, o estadista moçambicano afirmou que a energia ocupa uma posição central na segurança mundial, na estabilidade económica e no desenvolvimento dos países, defendendo a continuidade do contributo do gás natural para o abastecimento energético global.
«Mais do que uma mercadoria estratégica, o gás deve constituir uma ponte de entendimento e de prosperidade entre as nações», declarou.
O Presidente da República destacou o potencial de África no mercado internacional do gás natural, tendo em conta as reservas existentes no continente, mas chamou a atenção para a falta de acesso à electricidade e a soluções modernas de cozinha por parte de milhões de africanos.
«África não pode continuar a ser um continente que ilumina outras partes do mundo enquanto milhões dos seus próprios cidadãos permanecem na escuridão», afirmou.
Ao abordar a participação de Moçambique no mercado internacional, Daniel Chapo recordou que o País aderiu ao GECF, em 2022, na qualidade de observador, e iniciou posteriormente as exportações de gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Bacia do Rovuma.
Segundo o Chefe do Estado, o desenvolvimento de novos projectos estruturantes poderá aumentar a capacidade de exportação moçambicana para mais de 35 milhões de toneladas por ano, consolidando a presença do País no mercado internacional do gás.
O estadista destacou igualmente o fornecimento de gás natural aos países da região, particularmente à África do Sul, que decorre há mais de duas décadas, como parte da contribuição de Moçambique para a segurança energética regional.
Na sua intervenção, Daniel Chapo defendeu que a exploração dos recursos naturais deve estar associada à transformação económica interna, com maior incorporação de valor acrescentado, industrialização e criação de oportunidades de emprego.
«Passar de uma economia assente predominantemente na extracção e exportação de recursos naturais para uma economia que transforma esses recursos em valor acrescentado, industrialização e soberania económica» constitui, segundo o Presidente, um dos objectivos de Moçambique.
Como exemplo, apontou a experiência de Temane, na província de Inhambane, onde o aproveitamento do gás natural inclui a produção de gás de cozinha e a geração de electricidade através de uma central com capacidade de 450 megawatts.
O Chefe do Estado afirmou ainda que Moçambique pretende ampliar a utilização do gás natural na produção de alimentos, no desenvolvimento industrial e na criação de oportunidades para empresas nacionais, jovens e mulheres.
No domínio da gestão das receitas provenientes dos recursos naturais, Daniel Chapo defendeu a sua aplicação em iniciativas orientadas para o desenvolvimento de longo prazo, incluindo através do Fundo Soberano e da diversificação da economia nacional.
O Presidente da República abordou igualmente a transição energética, defendendo uma abordagem justa e equilibrada, que considere as diferentes realidades dos países e permita o aproveitamento responsável do gás natural em complementaridade com as fontes de energia renováveis.
No encerramento da intervenção, apresentou quatro prioridades de Moçambique no âmbito do GECF, nomeadamente, a promoção de um mercado internacional do gás mais estável e previsível, a transferência de tecnologia e a formação de quadros nacionais; a atracção de investimentos destinados à transformação local dos recursos e à criação de emprego e a promoção de uma transição energética justa.
Daniel Chapo reiterou, por fim, a disponibilidade de Moçambique para aprofundar a participação no Fórum e desenvolver novas parcerias nas áreas da tecnologia, formação de recursos humanos e investimento.
(AIM)
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