Jornalistas no exercício da sua actividade. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 14 Mai (AIM) – O Governo incentivou hoje, em Maputo, os órgãos de comunicação social a reinventarem-se para responder à crise de sustentabilidade que afecta o sector, marcada por desafios financeiros, transformação digital e mudanças tecnológicas aceleradas.
A posição foi apresentada pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, na abertura da Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Média.
Segundo Valá, discutir a sustentabilidade da imprensa é também discutir a qualidade da democracia e o fortalecimento do espaço público.
“Abordar a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social é verdadeiramente tratar da qualidade da nossa democracia, da vitalidade do espaço público, do pluralismo de ideias e da própria capacidade de uma sociedade se compreender, se organizar e projectar o seu futuro colectivo”, afirmou.
O governante sublinhou que os desafios do sector vão além das receitas publicitárias ou da transição tecnológica, abrangendo igualmente o direito à informação, a liberdade de expressão e a participação cívica.
Valá considerou ainda que a comunicação social ocupa um lugar central na democracia contemporânea, por permitir aos cidadãos acompanhar os debates nacionais, exercer escrutínio social e participar na construção da esfera pública.
“Uma imprensa forte, ética e economicamente sustentável constitui um activo estratégico de qualquer sociedade que aspire consolidar um Estado de direito democrático, inclusivo e moderno”, declarou.
O ministro destacou que a realização da conferência acontece num contexto em que Moçambique celebra os 50 anos da independência nacional, fase que, segundo disse, exige maior consolidação da independência económica e modernização institucional.
Por sua vez, o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Rasaque Manhique, alertou para os riscos da desinformação, do jornalismo clandestino e da perda de confiança pública nas instituições de informação.
Defendeu igualmente uma reflexão ética sobre o uso da inteligência artificial no jornalismo, considerando que a tecnologia representa simultaneamente oportunidade e desafio.
Já o director do jornal Evidências Evidências, Nelson Mucanze, afirma que o jornalismo moçambicano enfrenta um momento decisivo, marcado pela fragilidade financeira das redacções, pressão política e rápida transformação tecnológica.
“Não há independência editorial sem independência económica, não haverá democracia sólida sem jornalismo livre e credível”, frisou.
A conferência reúne especialistas, gestores e profissionais de comunicação de várias províncias do país e deverá produzir recomendações sobre sustentabilidade, formação e transição digital no sector.
(AIM)
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