Participantes do Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico para reforço da parceria na transição verde e resiliência climática
Maputo, 20 Mai (AIM) – O governo moçambicano defende a criação de mecanismos nacionais que permitam ao país aceder directamente ao financiamento climático internacional e aos mercados de carbono, reduzindo a dependência de intermediários nas negociações ligadas à transição verde e resiliência climática.
A posição foi defendida hoje, em Maputo, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante o Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico para reforço da parceria na transição verde e resiliência climática, encontro que reuniu representantes do governo e parceiros da União Europeia.
Segundo o governante, Moçambique necessita de assistência técnica especializada para melhor aproveitar as oportunidades existentes no mercado climático internacional sem comprometer os benefícios destinados ao país.
“O que nós queremos é uma assistência técnica directa que permita que Moçambique possa melhor aproveitar os diversos caminhos de financiamento climático e não cair nas mãos de intermediários”, afirmou.
Na ocasião, Albino revelou que recebe frequentemente propostas de operadores interessados em intermediar a entrada do país no mercado de carbono, exigindo percentagens elevadas sobre os ganhos obtidos.
“Eu recebo todos os dias pedidos de intermediários que querem ajudar Moçambique a entrar no mercado de carbono, mas sempre vão me pedir 30 por cento”, disse.
Segundo explicou, o Executivo pretende apoio da União Europeia para desenvolver mecanismos nacionais de participação nos mercados de carbono, assegurando maior transparência, capacidade técnica e retenção dos benefícios financeiros resultantes da agenda climática.
O ministro destacou que Moçambique possui elevado potencial para beneficiar da economia verde, devido à disponibilidade de recursos naturais, biodiversidade e capacidade de produção de energias renováveis.
Durante a sua intervenção, defendeu igualmente a aceleração de investimentos em energia, água, saneamento e outras infra-estruturas básicas, sobretudo nas zonas rurais, como forma de reduzir desigualdades sociais e territoriais.
“O cidadão que está nas zonas rurais tem os mesmos direitos que eu aqui na cidade de Maputo, a ter água limpa, energia de qualidade, saneamento, educação e saúde de qualidade”, afirmou.
Segundo Albino, a redução das assimetrias exige investimentos significativos e maior envolvimento dos parceiros de cooperação.
“Não podemos continuar com um país tão díspar em termos de oportunidades das coisas mais básicas, que é a água e a energia”, sublinhou.
O governante defendeu ainda o reforço de investimentos em energias renováveis e soluções off-grid, considerando que estas podem acelerar o acesso das comunidades à electricidade, água e saneamento.
Albino recordou igualmente os impactos severos das mudanças climáticas sobre o país, referindo que a campanha agrária 2025/2026 foi afectada por cheias nas províncias de Maputo, Gaza, Sofala, Manica, Tete e Zambézia.
Segundo explicou, o governo mobilizou cerca de 117 milhões de dólares norte-americanos para responder aos impactos das cheias e assegurar a continuidade da produção agrária e pesqueira.
O ministro defendeu também uma abordagem equilibrada entre conservação ambiental e desenvolvimento económico.
“Ser pró-desenvolvimento não quer dizer que seja contra a biodiversidade”, declarou.
Segundo explicou, o país está a actualizar instrumentos estratégicos, incluindo a Política e Lei do Ambiente, bem como o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA III), para alinhar o quadro legal às actuais dinâmicas internacionais ligadas às mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.
Albino sublinhou ainda que as comunidades localizadas em torno das áreas de conservação devem beneficiar de forma mais efectiva dos recursos gerados nesses espaços.
“Não basta dizer que temos muitas famílias beneficiárias. É necessário que este benefício resulte em melhoria da qualidade de vida das comunidades”, afirmou.
Para o efeito, propôs a implementação de projectos de geração de renda, agroprocessamento e integração das comunidades nas cadeias de valor.
No encontro, convidou igualmente os parceiros nacionais e internacionais a participarem na conferência “Crescendo Azul” e no “Gateway”, eventos destinados à mobilização de investimento privado para sectores ligados à economia azul, energia, ambiente e desenvolvimento sustentável.
“Hoje estamos a falar mais de atracção de investimento privado e menos de ajuda”, concluiu.
(AIM)
SNN/sg
