Maputo, 24 Mai (AIM) — A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN) foi hoje instada a reforçar a coesão interna, a vigilância comunitária e o patriotismo, face aos desafios impostos pelas calamidades naturais, terrorismo em Cabo Delgado e agravamento do custo de vida no país.
A exortação foi feita pelo Presidente da Frelimo e da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia de abertura da 4ª sessão ordinária do Comité Nacional da ACLLN, evento que se realizou hoje no município da Matola, província meridional de Maputo.
Chapo afirmou que o país continua a enfrentar os efeitos devastadores de chuvas intensas, cheias, ciclones e descargas atmosféricas, que afectaram sobretudo as províncias do sul e a bacia do Zambeze.
Segundo Chapo, os desastres naturais destruíram total ou parcialmente mais de 45 mil casas, afectaram mais de duas mil salas de aula, cerca de 300 unidades sanitárias e mais de nove mil quilómetros de estradas.
“Esta nossa realidade exige acções assertivas de prevenção, adaptação e mitigação, através do investimento na resiliência das infra-estruturas públicas e privadas”, declarou.
Chapo saudou o envolvimento dos combatentes nos esforços de assistência humanitária e reconstrução das zonas afectadas, considerando-os “uma força moral e patriótica ao serviço das populações”.
O presidente da Frelimo e da República abordou, igualmente, a subida do custo de vida, associando o agravamento dos preços internacionais dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente.
“Moçambique, por ser um país que não produz petróleo, não poderia ficar imune”, afirmou.
Acrescentou que o Governo tem vindo a adoptar medidas de mitigação, incluindo a introdução de autocarros movidos a gás para o transporte público urbano e inter-distrital.
Defendeu o reforço da campanha “uma família, uma horta”, sobretudo nas zonas urbanas, como forma de reduzir os custos da cesta básica.
Chapo condenou os ataques terroristas em alguns distritos da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, classificando-os como “um grande obstáculo ao desenvolvimento, paz e segurança”.
O Presidente elogiou o papel das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e da força local no combate aos grupos armados, destacando que as operações militares prosseguem em coordenação com forças amigas destacadas no terreno.
“Os combatentes devem continuar a emprestar a sua experiência no domínio da defesa e segurança para desarticular toda e qualquer tentativa de perturbação da ordem pública”, frisou.
A sessão ficou, igualmente, marcada pela intervenção do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, que contextualizou o significado histórico da canção “Tiyende Pamodzi”, associada ao primeiro Presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda.
Segundo Chissano, a canção simbolizava a unidade dos povos africanos durante as lutas de libertação nacional.
“Quer dizer: vamos todos juntos com o mesmo espírito, com o mesmo coração”, disse.
Acrescentou que a Frelimo adoptou o cântico pelo seu simbolismo de solidariedade africana.
Chissano recordou o apoio prestado por Kaunda e pelo antigo Presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, à luta de libertação de Moçambique.
(AIM)
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