Montagem de uma Central Solar nacional
Maputo, 28 de Maio (AIM) – As centrais de Cuamba e Mocuba nas províncias de Niassa e Zambézia, zona norte e centro, detidas pela da GLOBELEC, estão a produzir efeitos concretos na redução das perdas de transmissão da Empresa Electricidade de Moçambique (EDM), ao aproximarem a produção de energia das zonas de consumo e diminuírem a necessidade de transporte de electricidade a longas distâncias.
A garantia foi dada pelo Director Executivo da GLOBELEC em Moçambique, Samir Salé, em entrevista a AIM, destacando o impacto destas infra-estruturas para a segurança energética na região norte.
“A EDM, tendo aquela central ali, reduz as perdas de transmissão devido à distância”, afirmou Samir Salé.
Sobre Mocuba, referiu que, tendo uma central naquela zona reduz a necessidade de transportar electricidade das centrais da zona centro de Moçambique.
As duas centrais, que estão em operação desde 2019 e foram adquiridas pela GLOBELEC em Dezembro de 2023, injectam actualmente 48 megawatts na rede nacional. A central de Cuamba produz 15 MW, enquanto a de Mocuba fornece 33 MW enjectada a rede electrica nacional gerida pela EDM.
Segundo o responsável, o impacto destas infra-estruturas vai além da simples produção energética. A localização estratégica das centrais permite aliviar a pressão sobre as linhas de transporte, historicamente dependentes da energia proveniente de Cahora Bassa ou da região de Nacala, na província de Nampula para abastecer o norte do país.
No caso de Cuamba, a existência da central na província do Niassa representa uma mudança estrutural no sistema de distribuição eléctrica. Antes, a energia percorria centenas de quilómetros até chegar aos consumidores finais, situação que aumentava significativamente as perdas técnicas durante o transporte.
“O que acontece é que a EDM reduz as perdas de transmissão devido à distância destas duas centrais para a província de Niassa”, explicou Samir Salé.
Em Mocuba, o cenário é semelhante. A produção local diminui a dependência da energia transportada a partir do corredor central e das centrais hídricas da região central do País, reduzindo igualmente os custos operacionais associados às perdas na rede.
“Reduz a necessidade de transportar electricidade de grandes distâncias e reduz as perdas de transmissão do lado da EDM”, reforçou o Director Executivo.
Enquanto as duas centrais já operacionais consolidam o fornecimento de energia, a GLOBELEC prepara agora um novo investimento ainda no sector das energias renováveis. Trata-se da central eólica de Namaacha, um projecto de 120 MW desenvolvido em parceria com a EDM e a empresa moçambicana Source Energia.
O empreendimento deverá atingir o fecho financeiro antes do final deste ano, permitindo o arranque das obras em 2027. O investimento global está estimado em cerca de 260 milhões de dólares.
“Estamos a trabalhar com a EDM e com o nosso parceiro local no desenvolvimento de uma central eólica em Namaacha de 120 MW”, avançou Samir Salé.
O financiamento do projecto será assegurado por um consórcio internacional de financiadores, enquanto a EDM mobiliza recursos junto do Banco Africano de Desenvolvimento para a construção da linha de transmissão que irá integrar a central na rede nacional.
Além da expansão das energias renováveis, a GLOBELEC procura concluir um dos projectos energéticos mais desafiantes dos últimos anos em Moçambique, nomeadamente, a Central Térmica de Temane, na província de Inhambane, zona sul.
(AIM)
