Directora Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas, Sónia Muando, em entrevista à AIM. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 03 (AIM) – Moçambique continua a perder cerca de 267 mil hectares de floresta por ano, equivalente a aproximadamente 0,79 por cento da cobertura florestal nacional, um dos maiores desafios ambientais que o país enfrenta actualmente.
O alerta foi lançado pela directora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Sónia Muando, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, que se celebra a 05 (cinco) de Junho corrente.
Segundo Muando, a agricultura de subsistência, a produção de carvão vegetal, as queimadas descontroladas e a expansão dos assentamentos humanos continuam entre os principais factores da degradação florestal.
“Os estudos nacionais mostram que a perda florestal continua a ser impulsionada sobretudo pela conversão de áreas para agricultura, produção de carvão e expansão das áreas habitacionais”, explicou.
Advertiu contra o aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, incluindo ciclones, secas e cheias, que agravam a vulnerabilidade ambiental e socioeconómica do país.
Apesar dos desafios, Muando destacou avanços significativos na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade.
Entre os resultados alcançados figura a restauração de cerca de cinco mil hectares de mangal em diferentes regiões do país, através do envolvimento de comunidades locais, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.
“Há ainda muito corte de mangal, mas também existe um forte envolvimento das comunidades e parceiros na recuperação destes ecossistemas fundamentais para a adaptação às mudanças climáticas”, afirmou.
A directora recordou os impactos provocados pelo ciclone Kenneth, na província nortenha de Cabo Delgado, para ilustrar a importância dos mangais na protecção das zonas costeiras.
“As comunidades perceberam melhor o valor do mangal depois dos ciclones. Estas florestas funcionam como infra-estruturas naturais de protecção costeira”, disse.
Outro indicador positivo apontado pela responsável é a recuperação gradual da fauna bravia em algumas áreas de conservação.
Actualmente, cerca de 26 por cento da superfície terrestre nacional e cinco por cento da área marinha encontram-se abrangidos por regimes de conservação.
“O desafio agora é expandir sobretudo as áreas marinhas protegidas para alcançar as metas definidas e reforçar a conservação da biodiversidade e a resiliência climática”, explicou.
De acordo com Muando, as áreas de conservação devem ser encaradas não apenas como instrumentos de protecção ambiental, mas também como pólos de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais.
“Estamos a trabalhar para transformar a conservação da biodiversidade e das florestas numa oportunidade de desenvolvimento sustentável”, concluiu.
(AIM)
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