Maputo, 16 Jul (AIM) – O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas reitera o seu compromisso em continuar a assegurar a conservação da biodiversidade para o desenvolvimento das comunidades e do seu bem-estar.
A posição foi manifestada esta quarta-feira (16), em Maputo, pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, na abertura da conferência final do projecto intitulado, “uma abordagem de sistemas de produção para integração da biodiversidade no sector da agricultura – Interligando os níveis Nacional e Local”, designado de FARSYMABI.
No seu discurso, Dgedge avançou que o bem-estar e o desenvolvimento socioeconómicos das comunidades locais e a conservação da biodiversidade, sempre foram uma prioridade do governo.
“Reiteramos aqui o compromisso do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas em continuar a assegurar que a conservação da biodiversidade contribua para o desenvolvimento das comunidades e para o seu bem-estar, reforçar os mecanismos de gestão integrada e participativa dos territórios, promover a cooperação regional e mobilizar recursos financeiros e técnicos para apoiar as comunidades locais”, vincou.
Explicou que a questão da pobreza e a segurança alimentar no contexto de países em via de desenvolvimento como é caso de Moçambique, onde a expansão da superfície agrícola tem sido referida como a principal ameaça à biodiversidade, e a dificuldade em identificar fontes alternativas de renda, continuam sendo um enorme desafio, pois, são inúmeras as barreiras, e que em algum momento mexem com as tradições e culturas locais, portanto, valores, direitos e interesses das comunidades.
Para responder estes e outros desafios foram realizados dois estudos de caso, nomeadamente o Monte Namúli e a Área de Conservação Comunitária de Chipanje Chetu.
Segundo Dgedge, os resultados destes estudos mostram a necessidade de Moçambique dispor de uma estratégia de integração da biodiversidade no desenvolvimento agrário e rural sensível ao contexto socio-ecológico local e assente no entendimento, a todos os níveis (local, nacional e internacional).
“Estas duas áreas representam contextos socio-ecológicos contrastantes, no que se refere à vegetação natural, nível de protecção, densidade populacional, ocupação agrícola e conflito com a biodiversidade, e para os quais seriam necessárias estratégias específicas de integração da biodiversidade, considerando o contexto local”. anotou.
Segundo Dgedge, a conservação da biodiversidade é importante em si mesma, mas não é a solução para o combate à pobreza e o desenvolvimento agrário. Por isso, apela aos parceiros de cooperação para se engajarem cada vez mais em acções produtivas em prol do desenvolvimento sustentável de Moçambique.
“As receitas provenientes das iniciativas de conservação, quando investidas em infra-estruturas públicas (escolas, centros de saúde, estradas) são um benefício muito reconhecido pelas comunidades, no entanto, esse investimento não substitui o financiamento público necessário para assegurar a provisão contínua de serviços básicos de saúde, educação, energia e comunicações para as populações locais”, disse o Ministro.
Por sua vez, a pesquisadora do Observatório do Meio Rural, Máriam Abbas, recomenda a adoptação de estratégias de integração da biodiversidade que tenham em consideração as regiões sociologicamente homogêneas.
“Nós, neste projeto, conseguimos desenhar para duas (estratégias), por causa do período temporal, mas também recursos financeiros, etc. Mas, se Moçambique decidir avançar por uma estratégia regionalizada ou que tenha em consideração as regiões sócio-ecologicamente homogêneas, seria então necessário desenhar uma estratégia local para cada uma dessas regiões”, explicou.
O “Projecto FARSYMABI” representa uma abordagem inovadora para promover o equilíbrio entre as necessidades humanas e a conservação dos ecossistemas. Em Moçambique, essa visão tem encontrado terreno fértil, à medida que se avança na valorização da biodiversidade e na integração das comunidades nos processos de gestão e protecção dos recursos naturais.
Este projecto de pesquisa teve como objectivo principal compreender os conflitos e complementaridades entre a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento agrário e rural, incluindo os objectivos de alívio da pobreza e de segurança alimentar, num contexto de países em desenvolvimento, como Moçambique, onde a expansão da área agrícola tem sido considerada uma das principais ameaças à biodiversidade.
(AIM)
SNN/dt
