Inhambane, 8 de Junho (AIM) – O investimento de 34 milhões de dólares norte-americanos realizado pela Peace Parks Foundation (PPF) desde 2015 está a transformar o Parque Nacional de Zinave (PNZ) num dos casos de sucesso da conservação em Moçambique.
Os recursos aplicados permitiram restaurar infra-estruturas, reforçar a protecção da fauna, apoiar comunidades locais e devolver vida a uma área que há décadas era rotulado como o parque silencioso, devido a sua decadência.
Integrado na Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, uma paisagem de 100 mil quilómetros quadrados partilhada por Moçambique, África do Sul e Zimbabwe, actualmente, PNZ desempenha um papel fulcral na ligação de ecossistemas e na circulação de fauna selvagem para além das fronteiras nacionais.
Para Werner Myburgh, Director Executivo da Peace Parks Foundation, os resultados alcançados demonstram a importância de uma visão de longo prazo.
“Zinave demonstra o que é possível alcançar quando o compromisso de longo prazo, as parcerias sólidas e a liderança local se unem”, afirmou durante a translocação esta semana de nove rinocerontes-brancos ao Zinave.
“O regresso dos rinocerontes reflecte anos de investimento na restauração de uma área protegida que beneficia tanto a vida selvagem como as comunidades locais”, vincou.
De acordo com a fonte, com o regresso gradual da fauna e o crescimento da actividade turística, Zinave aproxima-se também da sustentabilidade financeira.
Em Moçambique, 20 por cento das receitas geradas pelos parques nacionais revertem directamente para as comunidades circunvizinhas, permitindo que as populações beneficiem dos ganhos resultantes da conservação.
Explicou que o parque passou por uma profunda transformação graças ao acordo de cogestão de 20 anos estabelecido entre o Governo moçambicano e a Peace Parks Foundation. Desde 2015, foram reintroduzidos 2.431 animais de 16 espécies diferentes, incluindo elefantes, búfalos, leopardos e hienas. Actualmente, a população animal aproxima-se dos 10 mil indivíduos.
O investimento da Peace Parks foi além da recuperação da fauna. Os fundos permitiram reconstruir infra-estruturas essenciais, criar uma força de fiscalização especializada, fortalecer sistemas de monitoria e segurança e implementar programas de desenvolvimento comunitário.
Só em 2025, cerca de três mil pessoas beneficiaram directamente de iniciativas ligadas à agricultura, pecuária e apicultura, reforçando a ligação entre conservação e melhoria das condições de vida das populações locais.
Com estas acções, a PPF tornou-se uma das principais organizações de conservação da África Austral. A instituição promove a criação e gestão de Áreas de Conservação Transfronteiriças, apostando na protecção da biodiversidade, no desenvolvimento comunitário e na sustentabilidade económica.
(AIM)
Paulino Checo/
