Maputo, 27 de Agosto (AIM) – A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) está a reforçar os mecanismos de preparação e resposta aos riscos climáticos, numa altura em que especialistas, meteorologistas e sectores-chave da região afinam estratégias para enfrentar a época chuvosa 2026/27.
O desafio está no centro do 33.º Fórum Climático da África Austral (SARCOF-33), que decorre em Swakopmund, Namíbia, desde 25 de Agosto, reunindo especialistas em clima, serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, sectores produtivos e utilizadores de informação climática dos países da região.
Organizado através do Centro de Serviços Climáticos da SADC (SADC-CSC), o fórum procura transformar a informação científica sobre o clima em decisões concretas capazes de reduzir riscos, proteger vidas e meios de subsistência e fortalecer a resiliência das comunidades.
Entre os principais momentos das sessões técnicas esteve o debate sobre o El Niño e os seus impactos na África Austral, fenómeno climático que pode provocar alterações significativas nos padrões de precipitação e temperatura e agravar a vulnerabilidade de sectores como agricultura, água, energia e saúde.
O debate permitiu analisar de que forma o fenómeno influenciou as condições meteorológicas e climáticas na região, bem como as consequências registadas nos sectores mais expostos à variabilidade climática.
A discussão procura ainda retirar lições que permitam antecipar riscos e melhorar a capacidade de resposta dos governos, comunidades e sectores económicos perante possíveis eventos extremos.
O SARCOF-33 está igualmente a fazer uma análise detalhada do comportamento das chuvas registadas durante a época Outubro–Dezembro de 2025 e Janeiro–Março de 2026, avaliando os principais factores climáticos que determinaram a época 2025/26.
A revisão pretende ir além dos números da precipitação, procurando compreender os impactos concretos provocados pelas condições climáticas e identificar as principais lições para melhorar a preparação para a próxima época chuvosa.
Para os participantes, compreender o que aconteceu durante a época anterior é fundamental para aperfeiçoar os mecanismos de prevenção, alerta e resposta antes da ocorrência de novos eventos climáticos adversos.
O fórum abriu igualmente espaço para que os utilizadores da informação climática apresentassem a sua avaliação sobre o desempenho e os impactos da época chuvosa 2025/26.
Nas sessões sectoriais, representantes de áreas estratégicas analisam os riscos e actualizam medidas de mitigação e preparação.
Agricultura, segurança alimentar e pecuária estão entre os sectores em destaque, numa região onde a produção agrícola continua fortemente dependente da regularidade das chuvas.
A água e o sector privado, assim como a energia, também integram as discussões, com atenção aos efeitos que a variabilidade climática pode produzir sobre a disponibilidade de recursos, infra-estruturas e actividade económica.
Já os responsáveis pela gestão do risco de desastres, sistemas de alerta precoce e saúde procuram reforçar medidas que permitam actuar antes que os fenómenos climáticos se transformem em crises humanitárias ou económicas.
Mais do que produzir previsões, o SARCOF-33 procura aproximar a ciência climática daqueles que precisam dela para tomar decisões.
A aposta da SADC passa por fortalecer a cadeia que liga a observação e previsão climática à preparação, acção antecipada e resiliência.
A lógica é que, quanto mais cedo os governos, comunidades e sectores económicos tiverem acesso a informação climática fiável e conseguirem traduzi-la em medidas concretas, maiores serão as possibilidades de reduzir perdas e proteger populações vulneráveis.
O momento mais aguardado do SARCOF-33 aconteceu hoje, 28 de Agosto de 2026, com a divulgação da Previsão Climática Sazonal Regional para a época que termina em Março de 2027.
O documento constitui uma referência essencial para o planeamento dos governos, instituições públicas, sector privado, organizações humanitárias e comunidades em toda a África Austral.
A expectativa é que a previsão permita antecipar possíveis cenários de precipitação e apoiar decisões sobre agricultura, segurança alimentar, água, energia, saúde e gestão de desastres.
(AIM)
