Presidente da República, Daniel Chapo.
Maputo, 12 Jun (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, garantiu hoje (12), na cidade de Quelimane, província central da Zambézia, que o assassinato do bispo Dom Osório Citora Afonso será esclarecido e os seus autores responsabilizados.
Afirmou que o crime “bárbaro e cobarde” não ficará impune.
Falando durante a missa de corpo presente celebrada na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, Sé Catedral de Quelimane, perante centenas de fiéis, membros do clero e entidades oficiais, Chapo classificou a morte do prelado como uma perda irreparável para a Igreja Católica e para Moçambique.
“Mantemos a determinação do Governo da República de Moçambique, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e de todas as autoridades da administração da justiça, na investigação rigorosa e célere para a identificação e responsabilização exemplar dos mandantes, autores materiais e morais deste hediondo crime”, declarou.
Segundo o Chefe do Estado, as autoridades agiram imediatamente após o ocorrido, tendo já sido detidas três pessoas ligadas ao caso.
“Já temos três detidos relacionados com este crime hediondo, bárbaro e inaceitável e vamos continuar a trabalhar para o esclarecimento deste crime de forma mais célere possível”, assegurou.
Na sua homenagem, Chapo descreveu Dom Osório como uma figura de dimensão nacional e internacional, cuja influência ultrapassava os limites da Igreja.
“Rendemos uma homenagem merecida ao bispo Dom Osório Afonso Citora, figura incontornável da história contemporânea do nosso país”, afirmou, acrescentando que a sua partida representa “uma perda irreparável não somente para a família religiosa e biológica, mas também para toda a família moçambicana”.
O Presidente destacou o papel do falecido bispo na promoção da paz, da concórdia e da convivência harmoniosa entre os moçambicanos, considerando-o um exemplo de cidadania, ética e serviço ao próximo.
Na mesma cerimónia, o Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís Cárdaba, afirmou que o país deve procurar a verdade sobre o crime sem ceder à vingança, defendendo que a justiça e o perdão devem caminhar juntos.
“Não devemos ter medo da verdade. A verdade liberta, a verdade promove a justiça”, declarou.
Dom Luís Cárdaba recordou Dom Osório como um pastor de “coração grande, convicções profundas, discurso firme e corajoso”.
Sublinhou que a sua morte constitui uma ferida para toda a Igreja Católica em Moçambique.
“O que aconteceu nunca deveria ter acontecido. Foi um erro muito grave. Em Moçambique, um bispo foi assassinado”, lamentou.
O representante diplomático da Santa Sé afirmou ainda acreditar que o sacrifício do prelado produzirá frutos espirituais para a Igreja e para o país.
“Tenho a certeza de que esta morte cruel não será em vão. Creio que Deus conseguirá transformar tanto mal em bem”, disse.
Durante a celebração foi também lida uma mensagem do Papa Leão XIV, que expressou solidariedade à Igreja moçambicana e apelou à perseverança na promoção do perdão, da reconciliação e da concórdia.
Dom Osório Citora Afonso morreu na noite de 06 de junho, vítima de um ataque armado na residência episcopal de Quelimane.
Tinha 54 anos de idade e desempenhava simultaneamente as funções de bispo de Quelimane, e de administrador apostólico da Beira e secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique.
(AIM)
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