Maputo, 3 Jul (AIM) – A crescente capacidade científica e tecnológica do Instituto Nacional de Saúde (INS) está a reforçar a prontidão de Moçambique para responder a surtos, epidemias e outras emergências de saúde pública.
A afirmação foi feita esta sexta-feira o Ministro da Saúde, Ussene Isse, durante uma visita de trabalho à instituição, em Marracuene, província de Maputo, como objectivo avaliar o nível de preparação do INS para responder a ameaças sanitárias, bem como conhecer os avanços alcançados nas áreas de diagnóstico laboratorial, investigação científica, vigilância epidemiológica e desenvolvimento tecnológico.
Falando à imprensa no final da visita, Isse disse ter saído “muito satisfeito” com a capacidade instalada no instituto, referindo que o país dispõe actualmente de meios para diagnosticar doenças de elevado risco, incluindo o vírus Ébola, e responder de forma mais célere a eventuais emergências sanitárias.
“Hoje estivemos aqui para avaliar as condições de resposta do Instituto Nacional de Saúde e constatámos que o país possui capacidade laboratorial para fazer o diagnóstico de doenças prioritárias e responder às recomendações da Organização Mundial da Saúde”, afirmou.
O ministro recordou que o continente africano continua confrontado com surtos de doenças emergentes e os impactos das alterações climáticas sobre a saúde pública, razão pela qual considerou essencial continuar a investir na investigação científica e na capacidade nacional de diagnóstico.
Durante a visita, os responsáveis do Laboratório Nacional de Referência de Biologia Molecular explicaram que o INS assegura a coordenação técnica da rede nacional de laboratórios de biologia molecular, responsável pela realização de testes de carga viral do HIV e diagnóstico precoce infantil, bem como pela validação de reagentes e equipamentos utilizados em todo o país.
Segundo os técnicos, todos os reagentes destinados aos laboratórios públicos são previamente avaliados pelo INS, garantindo que apenas produtos certificados sejam utilizados no Sistema Nacional de Saúde.
A equipa apresentou igualmente os resultados da avaliação de novas tecnologias de diagnóstico, incluindo os dispositivos Point of Care, que permitiram reduzir de vários dias para cerca de uma hora o tempo necessário para obter o diagnóstico precoce do HIV em crianças expostas ao vírus.
Outra inovação destacada foi a introdução de cartões separadores de plasma, tecnologia que elimina a necessidade de transporte de amostras em cadeia de frio, facilitando o acesso ao diagnóstico nas zonas mais remotas do país.
O ministro visitou ainda as plataformas de sequenciamento genético do INS, consideradas entre as mais avançadas da região, e as obras do futuro Centro Nacional de Bioinformática e Genómica, que deverá apoiar não apenas o sector da saúde, mas também áreas como agricultura, pecuária e pescas.
Segundo os responsáveis, Moçambique é actualmente o único país africano de língua portuguesa com uma plataforma pública deste nível tecnológico, que já presta assistência técnica a outros países da Comunidade dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Durante a apresentação, foram igualmente destacados os contributos do INS para a resposta à pandemia da Covid-19, período em que o laboratório central realizou mais de mil testes diários e funcionou ininterruptamente, em três turnos, antes da descentralização da testagem para as províncias.
Os investigadores apresentaram ainda estudos sobre vigilância de vírus respiratórios, dengue, cólera, resistência do HIV aos antirretrovirais, eficácia das vacinas e controlo da malária, cujos resultados têm servido de base para a definição de políticas públicas de saúde.
Para Isse, estas evidências demonstram que o conhecimento produzido pelos cientistas moçambicanos está a contribuir directamente para melhorar a resposta do país às doenças e fortalecer o Sistema Nacional de Saúde.
O governante destacou igualmente o investimento na formação de quadros nacionais, referindo que o INS conta actualmente com cerca de 35 doutorados, 128 mestres e mais de 500 licenciados, a maioria formada com apoio da própria instituição.
Na ocasião, lançou o desafio para que o instituto continue a expandir a investigação científica, acelere a implementação do Centro Nacional de Bioinformática e Genómica, avance com a criação do primeiro laboratório nacional de toxicologia humana e consolide a futura Escola Nacional de Saúde Pública, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Brasil.
“O conhecimento científico deve ser colocado ao serviço da população. É com investigação, inovação e formação de recursos humanos que vamos fortalecer a resposta do país às emergências de saúde pública e reduzir a dependência externa”, concluiu o ministro.
(AIM)
SNN
