Maputo, 19 de Junho (AIM) – Desde a manhã deste sábado, 19 de Julho, circulam nas redes sociais imagens que mostram o baleamento à queima-roupa de um cidadão no interior de um estabelecimento comercial, no posto administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo.
As imagens, amplamente partilhadas nas redes sociais, suscitaram forte indignação pública devido à violência do acto e às circunstâncias em que ocorreu.
Segundo dados de fontes, a vítima identificada como Narciso Sambo, conhecido por “Macovo”, era um presumível cadastrado que praticava crimes no distrito.
O baleamento terá sido protagonizado, alegadamente, por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que dispararam contra o cidadão no interior de um estabelecimento comercial, perante outras pessoas que se encontravam no local.
As imagens que circulam nas plataformas digitais retratam um acto de extrema crueldade, com uso de força letal num espaço comercial, situação que levanta sérias preocupações sobre o respeito pelos direitos fundamentais, a proporcionalidade da actuação policial e a protecção da vida humana. A forma como o baleamento ocorreu tem alimentado um intenso debate público e renovado as preocupações em torno da actuação das forças de defesa e segurança.
Perante a gravidade do sucedido, o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) manifesta profunda preocupação com este caso e considera imprescindível que seja realizada uma investigação séria, célere, imparcial e independente, capaz de esclarecer todas as circunstâncias em que ocorreu o baleamento e identificar os seus autores materiais e eventuais responsáveis hierárquicos.
O CDD defende que, caso se confirmem as alegações que apontam para o envolvimento de agentes da UIR, todos os responsáveis devem ser exemplarmente responsabilizados nos termos da lei, como forma de combater a impunidade e reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.
Face ao sucedido, o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou a abertura de uma investigação para apurar a actuação dos agentes envolvidos na operação que resultou na morte de um homem apontado como cadastrado, depois de um vídeo da ocorrência gerar indignação e levantar dúvidas sobre a proporcionalidade da força empregue.
(AIM)
