Meishan (China), 24 Jul (AIM) – O modelo chinês de conservação de alimentos impressionou uma delegação de comunicadores do Governo moçambicano, que vê nesta experiência milenar uma referência para reduzir o desperdício alimentar, valorizar a gastronomia e transformar o património cultural num motor de desenvolvimento económico e turístico.
Moçambique continua a registar, anualmente, perdas de toneladas de diversas culturas agrícolas devido às deficiências nos métodos de conservação pós-colheita, um cenário que compromete a segurança alimentar, reduz o rendimento dos produtores e limita o aproveitamento do potencial agrícola nacional.
Para os comunicadores que se encontram na China para uma capacitação, a experiência chinesa demonstra que a preservação dos alimentos pode ser parte da solução para este desafio.
A constatação resulta da visita efectuada, na quinta-feira (23), ao Museu da Conservação de Alimentos da China, na cidade de Meishan, província de Sichuan, no âmbito da missão que a delegação moçambicana realiza naquele país asiático.
Ao longo da visita, os profissionais de comunicação identificaram diversas oportunidades para transformar a tradição gastronómica moçambicana num instrumento de desenvolvimento sustentável, aliando a preservação dos alimentos à valorização da identidade cultural, à promoção do turismo e à geração de rendimento para as comunidades.
“É preciso que a gastronomia moçambicana seja vista como uma identidade do País. É preciso darmos valor”, defendeu Almeida Quissico, membro da delegação.
O museu recebe cerca de uma centena de visitantes por dia durante os fins-de-semana e apresenta técnicas de conservação de alimentos cuja origem remonta a mais de cinco mil anos.
Para os visitantes moçambicanos, o espaço demonstra como um povo pode preservar e contar a sua história através da alimentação.
Marcelino Magumbane, igualmente integrante da comitiva, considera que Moçambique reúne condições para adoptar iniciativas semelhantes, tendo em conta a sua diversidade cultural, gastronómica e o peso estratégico da agricultura no desenvolvimento nacional.
“É incrível ver como eles fazem a demonstração da sua história, de onde eles vêm até onde chegaram hoje”, afirmou. “E nós, como moçambicanos, podemos acolher esta experiência porque temos uma vasta gastronomia. Somos um povo que olha para a agricultura como elemento-chave para o seu desenvolvimento.”
Apesar de Moçambique possuir métodos tradicionais de conservação, como a secagem, a salga e a fermentação, os comunicadores entendem que estas práticas continuam subaproveitadas e carecem de maior valorização, inovação e promoção.
Na opinião da delegação, produtos emblemáticos como o peixe seco, a matapa, o piri-piri e outros alimentos tradicionais podem ganhar maior valor acrescentado, contribuindo para reduzir as perdas pós-colheita e pesqueiras, aumentar o rendimento das comunidades e fortalecer o turismo cultural e gastronómico.
“Verificámos que quase todos os estabelecimentos na China privilegiam produtos locais. Não consomem produto exterior”, observou Quissico. Na sua perspectiva, Moçambique deve apostar no aumento da produtividade agrícola, na melhoria da qualidade das conservas nacionais e na valorização da produção interna, reduzindo a dependência de produtos importados.
Situado na província de Sichuan, o Museu da Conservação de Alimentos da China é uma instituição dedicada à preservação do património alimentar e das técnicas tradicionais de conservação desenvolvidas ao longo de milhares de anos. O espaço reúne utensílios históricos, réplicas arqueológicas e tecnologias interactivas que permitem compreender a evolução dos métodos utilizados para garantir a segurança alimentar.
Para além do seu valor histórico e cultural, o museu desempenha igualmente um papel educativo, promovendo a consciencialização sobre o combate ao desperdício alimentar e demonstrando que muitas das respostas para os desafios actuais da sustentabilidade podem ser encontradas no conhecimento acumulado pelas civilizações ao longo da História.
(AIM)
ZT/pc
