Maputo, 26 de Out (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, inteirou-se das preocupações da comunidade moçambicana residente na Rússia e anunciou medidas destinadas a melhorar o acompanhamento dos estudantes, facilitar a renovação de documentos e encontrar soluções para as dificuldades nas transferências de recursos financeiros, num contexto em que as restrições associadas à guerra e às sanções condicionam as operações financeiras entre aquele país e o exterior.
As medidas foram anunciadas durante um encontro com cidadãos moçambicanos residentes na Rússia, realizado em Moscovo, no quadro da visita de trabalho do Chefe do Estado àquele país, ocasião em que foram igualmente abordados o acesso às bolsas de estudo, a assistência consular e as perspectivas de integração profissional dos estudantes após a conclusão da sua formação académica.
No encontro, Chapo reconheceu os sacrifícios enfrentados pelos estudantes e pelas respectivas famílias para assegurar a continuidade dos estudos no estrangeiro, reafirmando que o Governo considera a diáspora parte integrante do processo de desenvolvimento nacional.
Uma das medidas anunciadas consiste no destacamento, junto da Embaixada de Moçambique na Rússia, de um responsável dedicado ao acompanhamento dos estudantes, com a missão de prestar assistência e responder às suas necessidades específicas.
A iniciativa surge numa altura em que o número de estudantes moçambicanos naquele país poderá ultrapassar 500, na sequência do aumento das bolsas de estudo disponibilizadas pela Rússia. O Governo pretende, assim, reforçar os mecanismos de assistência à comunidade académica e melhorar a capacidade de resposta das estruturas diplomáticas às suas preocupações.
No domínio da documentação, o Presidente da República anunciou que o Governo está a desenvolver soluções tecnológicas destinadas a permitir a recolha de dados biométricos, impressões digitais e fotografias através de dispositivos móveis, com vista a facilitar a renovação de documentos oficiais pelos cidadãos residentes no estrangeiro.
Segundo explicou, os dados recolhidos poderão ser processados e certificados em Moçambique, permitindo que os documentos sejam posteriormente enviados aos respectivos titulares, reduzindo os constrangimentos associados às deslocações ao país para tratar de procedimentos administrativos.
A medida pretende responder às dificuldades enfrentadas pelos cidadãos que vivem longe das representações diplomáticas e consulares, contribuindo para tornar os serviços públicos mais acessíveis à diáspora.
O acesso às bolsas de estudo e as dificuldades financeiras estiveram igualmente entre os principais assuntos apresentados pela comunidade estudantil durante o encontro.
Daniel Chapo revelou que Moçambique está a trabalhar com o Governo russo para aumentar o número de bolsas destinadas aos estudantes moçambicanos, tendo apontado a possibilidade de alcançar cerca de 150 bolsas por ano.
“O primeiro desafio é realmente relacionado às bolsas. Nós gostaríamos de ter muitos mais moçambicanos a virem estudar na Rússia”, afirmou o Chefe do Estado.
Relativamente às transferências financeiras, o Presidente reconheceu os constrangimentos decorrentes das restrições associadas à guerra e às sanções, que dificultam o envio de dinheiro para o sustento dos estudantes moçambicanos na Rússia.
Neste contexto, garantiu que o Governo continuará a trabalhar na identificação de mecanismos que permitam flexibilizar as operações financeiras destinadas a apoiar os estudantes, sem, contudo, avançar detalhes sobre as soluções que poderão ser adoptadas ou os prazos para a sua implementação.
A inserção profissional dos estudantes após a conclusão dos estudos constituiu outro dos pontos abordados. O Presidente da República anunciou que o Governo está a trabalhar na criação de uma base de dados dos moçambicanos que frequentam instituições de ensino no estrangeiro, incluindo informação sobre os cursos e as áreas de formação.
O objectivo é identificar o capital humano disponível e estabelecer uma ligação entre as qualificações adquiridas no exterior e as necessidades da economia nacional, criando melhores condições para o aproveitamento dos conhecimentos técnicos e científicos dos jovens moçambicanos.
Segundo Chapo, esta iniciativa está associada às reformas económicas em curso, incluindo a nova legislação mineira, a nova Lei de Petróleos, a Lei de Conteúdo Local e a criação da Empresa Nacional de Minas e do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
O Executivo pretende promover uma economia com maior capacidade de transformar internamente os recursos nacionais, gerar emprego qualificado e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem processamento. Entre os sectores apontados como prioritários figuram a agricultura, as infra-estruturas, os transportes, a logística, a energia, o turismo, a transformação digital e a economia azul.
Neste quadro, o levantamento das competências dos estudantes e de outros profissionais moçambicanos no estrangeiro poderá contribuir para identificar necessidades de recrutamento e aproximar a formação académica das oportunidades de desenvolvimento do país.
Durante o encontro, o Chefe do Estado apelou ainda à solidariedade entre os moçambicanos residentes na Rússia, à preservação da identidade nacional e à manutenção dos laços familiares, culturais e sociais com Moçambique.
Aos estudantes, recomendou responsabilidade, dedicação, disciplina e sentido de missão na prossecução da formação académica, sublinhando a importância de adquirirem conhecimentos e competências que possam contribuir para o desenvolvimento nacional.
Para além das questões relacionadas com a vida da comunidade moçambicana na Rússia, Daniel Chapo abordou a situação política, económica e social de Moçambique, destacando a estabilidade geral do país e o Diálogo Nacional Inclusivo como instrumento de promoção da paz, da reconciliação e da unidade nacional.
O Presidente reiterou igualmente a importância das reformas económicas em curso para impulsionar a industrialização, valorizar os recursos nacionais e criar condições para que o país possa beneficiar das competências da sua mão-de-obra qualificada, incluindo dos cidadãos que actualmente estudam e trabalham no estrangeiro.
(AIM)
