Maputo, 01 de Agos (AIM) – Maputo voltou a colocar este sábado, a agricultura urbana no centro das atenções durante a realização do Dia do Campo, uma efeméride que assinala a importância da inovação, da partilha de conhecimento e da valorização dos produtores agrícolas.
A iniciativa, promovida pelo Conselho Municipal de Maputo, reuniu agricultores, criadores de gado, extensionistas, investigadores, estudantes, fornecedores de insumos e parceiros de desenvolvimento para reflectir sobre o actual estágio da agricultura urbana e os desafios que se colocam à produção de alimentos na capital.
Numa acção liderada pelo próprio Edil de Maputo, Rasaque Manhique, mais do que uma simples demonstração de técnicas agrícolas, o Dia do Campo transformou-se num espaço de aprendizagem e de aproximação entre quem produz, quem investiga e quem desenvolve soluções para tornar a agricultura mais resiliente.
Ao longo da jornada, os participantes acompanharam demonstrações práticas de novas tecnologias, sementes melhoradas, sistemas de irrigação e técnicas de maneio capazes de aumentar a produtividade e reduzir perdas.
A mensagem central foi que, a agricultura urbana continua a desempenhar um papel determinante na economia familiar de milhares de munícipes.
Últimos dados divulgados pelo próprio Município de Maputo em 2028, indicavam que cerca de 14 mil famílias praticam agricultura urbana na cidade, explorando aproximadamente 1.300 hectares distribuídos pelos quatro distritos urbanos.
Destas famílias, cerca de 75 por cento encontram na actividade a sua principal fonte de rendimento, enquanto 25 por cento produzem sobretudo para o autoconsumo, contribuindo directamente para a segurança alimentar dos seus agregados.
Além da produção de hortícolas frescas que abastecem diariamente os mercados da cidade, a agricultura urbana desempenha uma importante função ambiental. As chamadas zonas verdes ajudam a preservar espaços agrícolas em meio urbano, favorecem a infiltração das águas pluviais, reduzem a pressão sobre o solo e contribuem para o equilíbrio ecológico da capital.
Apesar da sua relevância económica e social, o sector enfrenta desafios cada vez mais complexos. As mudanças climáticas, caracterizadas por períodos alternados de seca e precipitações intensas, têm afectado os calendários agrícolas e reduzido a produtividade.
A pressão da expansão urbana sobre as zonas verdes, o acesso limitado à água para irrigação, o elevado custo dos insumos e a necessidade de maior assistência técnica continuam igualmente entre as principais preocupações dos produtores. Especialistas defendem que o fortalecimento da agricultura urbana passa por investimentos contínuos em sistemas de rega eficientes, sementes adaptadas às novas condições climáticas, formação técnica e adopção de práticas sustentáveis.
Foi precisamente para responder a parte destes desafios que o Conselho Municipal promoveu mais uma edição do Dia do Campo. O encontro procurou aproximar produtores, investigadores, empresas fornecedoras de insumos e serviços de extensão rural, permitindo que o conhecimento científico chegue mais rapidamente às machambas urbanas.
Experiências semelhantes realizadas nos últimos anos demonstraram o potencial da utilização de biofertilizantes, biopesticidas e técnicas de compostagem para aumentar a produtividade, reduzir custos e preservar o ambiente.
A realização da iniciativa contou com a participação da Direcção dos Serviços de Actividades Económicas da Cidade de Maputo, da União das Associações Agrícolas da Cidade de Maputo e das organizações não-governamentais Engenharia Sem Fronteiras e ABIODES – Associação para Promoção do Desenvolvimento Sustentável.
(AIM)
