Maputo, 27 de Agosto (AIM) – As comunidades que vivem na zona tampão do Parque Nacional de Mágoe, província de Tete, zona centro, receberam um novo impulso para transformar a apicultura numa fonte sustentável de rendimento e conservação da natureza, com a entrega de mais de três mil bens destinados à produção, processamento e conservação do mel.
Ao todo, 3.052 bens foram entregues a 10 associações de apicultores dos distritos de Mágoe e Cahora Bassa, beneficiando directamente 391 pessoas que vivem nas comunidades abrangidas pela iniciativa.
A acção é promovida pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através do Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (ProAzul), numa intervenção coordenada com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a BIOFUND, visando fortalecer a cadeia de valor da apicultura e criar alternativas económicas para as populações que vivem nas proximidades da área de conservação.
Do total dos bens entregues, 2.377 são equipamentos destinados à cadeia de valor da apicultura, proporcionando às associações melhores condições para aumentar a produção e melhorar a qualidade do mel.
Os restantes 675 materiais de construção civil serão utilizados pelas próprias comunidades na construção de infra-estruturas destinadas ao processamento e conservação do mel.
A aposta procura responder a um dos principais desafios enfrentados pelos pequenos produtores: a falta de equipamentos e condições adequadas para transformar a produção de mel numa actividade económica mais estruturada e rentável.
Com melhores meios de produção e infra-estruturas apropriadas, as comunidades poderão não só aumentar a capacidade produtiva, mas também melhorar a conservação e o processamento do produto, criando condições para uma maior valorização do mel no mercado.
A iniciativa abrange 10 associações de apicultores, cinco do distrito de Cahora Bassa e outras cinco do distrito de Mágoe.
No conjunto, as associações representam 391 beneficiários, que passam a dispor de meios para desenvolver a actividade apícola e reforçar as suas fontes de rendimento.
A aposta na apicultura assume ainda uma dimensão ambiental importante, sobretudo numa zona onde as comunidades convivem directamente com uma área de conservação.
A criação de oportunidades económicas ligadas aos recursos naturais pode contribuir para reduzir a pressão sobre o ambiente e estimular uma relação mais equilibrada entre as comunidades e o Parque Nacional de Mágoe.
“Contributo para concretizar o sonho das comunidades”
Durante a cerimónia de entrega, a Administradora do Parque Nacional de Mágoe, Juliana Mwito, destacou a importância do apoio recebido e agradeceu aos parceiros envolvidos na iniciativa.
A responsável apontou, em particular, o contributo do Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (ProAzul) para a concretização das expectativas das comunidades.
“O contributo do ProAzul é fundamental para concretizar o sonho das comunidades residentes na Zona Tampão do Parque Nacional de Mágoe.”
O reconhecimento reflecte a importância da parceria entre as instituições públicas, organizações de conservação e as próprias comunidades na procura de soluções que conciliem desenvolvimento económico e preservação ambiental.
A entrega dos bens representa, assim, mais do que uma simples distribuição de equipamentos. A iniciativa procura criar condições para que as comunidades possam participar activamente na economia local, aproveitando o potencial da apicultura de forma sustentável.
Num território onde a conservação da biodiversidade precisa de caminhar lado a lado com a melhoria das condições de vida das populações, o reforço da actividade apícola surge como uma oportunidade para gerar rendimento sem comprometer os recursos naturais.
A cerimónia contou com a participação do Governo do Distrito de Mágoe, ANAC, Vale do Zambeze, IDEPA, líderes locais e representantes das comunidades, num sinal de convergência entre diferentes actores em torno de uma agenda de desenvolvimento comunitário e conservação.
(AIM)
Redacção
