Maputo, 27 de Agosto (AIM) – As comunidades da zona tampão do Parque Nacional da Chimanimani, em Sussundenga, provincia central de Manica, foram desafiadas a produzir mais alimentos e adoptar práticas agrícolas sustentáveis para reduzir a caça furtiva, o garimpo, o corte de madeira e a abertura de novas áreas de cultivo dentro da área de conservação.
O desafio foi lançado hoje, em Muoha, pelo Ponto Focal Operacional do Fundo Global do Meio Ambiente (GEF) e Chefe da Repartição de Mitigação e Desenvolvimento de Baixo Carbono, Eduardo Baixo, durante uma visita de monitoria aos projectos financiados pelo GEF nas províncias de Manica e Sofala.
A visita, que decorre de 23 a 29 de Agosto, abrange os distritos de Sussundenga, em Manica, e Gorongosa, em Sofala, com o objectivo de acompanhar iniciativas de conservação, desenvolvimento sustentável e adaptação às mudanças climáticas.
Falando às comunidades do Posto Administrativo de Tsetsere, Eduardo Baixo defendeu que o aumento da produtividade agrícola deve estar no centro das estratégias de conservação da biodiversidade.
Segundo o responsável, o investimento em machambas produtivas, sistemas agroflorestais e culturas resilientes ao clima pode garantir maior segurança alimentar e, simultaneamente, reduzir a pressão sobre os recursos naturais do Parque Nacional da Chimanimani.
“Quem produz mais e melhor na sua machamba não precisa entrar no Parque para caçar, fazer garimpo, cortar madeira ou abrir novas áreas de cultivo”, disse.
A mensagem coloca a produção agrícola como uma das principais ferramentas para conciliar a sobrevivência das comunidades com a preservação dos ecossistemas.
Nas comunidades que vivem nas proximidades de áreas de conservação, a necessidade de alimentos e de fontes de rendimento pode aumentar a pressão sobre os recursos naturais.
A abertura de novas machambas, a exploração de madeira, a caça e outras actividades podem contribuir para a degradação dos habitats e ameaçar espécies e ecossistemas essenciais.
Para inverter esta tendência, o investimento em técnicas agrícolas mais produtivas e adaptadas às condições climáticas poderá permitir que as famílias obtenham mais alimentos e rendimento nas áreas que já utilizam, reduzindo a necessidade de procurar alternativas dentro do Parque.
A aposta em agroflorestas poderá igualmente contribuir para a recuperação dos solos e diversificação das fontes de rendimento, ao mesmo tempo que promove práticas agrícolas mais compatíveis com a conservação ambiental.
Durante a interacção com as comunidades, Baixo destacou também os efeitos crescentes das mudanças climáticas, defendendo uma resposta colectiva para reduzir os seus impactos.
“Conservar o Parque é garantir água, chuva e futuro para todos”, avançou.
O responsável apelou às comunidades para que cada interveniente concentre os seus esforços na sua área de actividade, adoptando práticas capazes de reduzir a pressão sobre o ambiente e aumentar a capacidade de adaptação aos efeitos das alterações climáticas.
A diversificação das culturas e a adopção de variedades mais resilientes surgem, neste contexto, como medidas importantes para proteger a produção de alimentos perante períodos de seca, chuvas irregulares e outros fenómenos extremos.
O Parque Nacional da Chimanimani constitui uma das áreas de elevada importância para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos de Moçambique.
Entretanto, a área enfrenta desafios relacionados com a caça furtiva, abate de árvores e agricultura itinerante, actividades que podem comprometer a integridade dos ecossistemas e reduzir a capacidade da região de prestar serviços ambientais às comunidades.
A conservação, por isso, não depende apenas da fiscalização. Exige também a criação de alternativas económicas e produtivas para as populações que vivem à volta do Parque.
A mensagem deixada durante a visita de monitoria é clara: proteger a biodiversidade começa também por garantir que as comunidades tenham alimentos, rendimento e meios de produção suficientes para não dependerem da exploração dos recursos naturais do Parque.
(AIM)
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