Marracuene (Maputo), 2 Set (AIM) – O Secretário-Geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, defende maior participação dos moçambicanos nos processos produtivos e no capital das empresas nacionais, como forma de reforçar a apropriação da economia e da riqueza do país.
A posição foi defendida esta quarta-feira, durante uma visita aos expositores da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), onde o dirigente destacou a necessidade de aumentar a produção nacional, reduzir a dependência externa e criar mecanismos que facilitem o acesso dos cidadãos ao investimento.
Entre os sectores que mereceram a atenção de Aboobacar estão a produção de livros escolares, o transporte aéreo e o mercado de capitais.
Na Sociedade do Notícias, o dirigente encorajou a empresa a continuar a investir na produção gráfica, defendendo que Moçambique deve criar capacidade para produzir internamente os livros escolares de que necessita.
“Nós temos que nos apropriar deste processo. Nacionalizar a produção de livros escolares, ou seja, produzirmos aqui”, afirmou, sublinhando que o esforço deve abranger tanto a concepção como a produção física dos livros.
Para Aboobacar, a redução da dependência externa passa igualmente por identificar os factores que levam empresas e instituições nacionais a procurar capacidade produtiva no exterior e encontrar soluções para tornar o mercado moçambicano mais competitivo.
“É preciso olharmos para este vector naturalmente, que é preciso, de forma conjugada, ver quais são os factores que nos obrigam a ir fazer um investimento fora e ver como é que podemos actualizar e tornar mais competitivo”, disse.
Aeroporto de Nacala
No Aeroporto Internacional de Nacala, Aboobacar defendeu a necessidade de internacionalizar a infra-estrutura e ampliar a sua utilização para além do transporte de passageiros, apostando também na movimentação de carga e na dinamização de actividades económicas.
“O aeroporto não é um lugar onde os aviões partem. Tem que ser um lugar onde as pessoas frequentam e assistem o avião a partir”, afirmou.
A declaração enquadra-se na defesa de uma maior utilização das infra-estruturas nacionais como instrumentos de dinamização da economia e de criação de oportunidades de negócio.
Bolsa deve chegar aos cidadãos
Na Bolsa de Valores de Moçambique, o Secretário-Geral da FRELIMO destacou o papel da transformação digital na democratização do acesso ao investimento, saudando a criação de um sistema de negociação que permitirá aos cidadãos realizar transacções através do telemóvel.
“Hoje ninguém sai de casa para ir fazer um investimento, eu tenho que ir ao banco, já não faz sentido”, afirmou.
Aboobacar defendeu igualmente a necessidade de ultrapassar a percepção de que a Bolsa de Valores é um espaço reservado a investidores abastados ou estrangeiros.
“Cada um pode usar o seu dinheiro, pouco seu dinheiro, para investir na Bolsa. Isso vai capitalizar a Bolsa, vai assegurar que os moçambicanos possam também sentir que fazem parte da economia nacional”, disse.
Para o dirigente, a participação dos cidadãos no capital das empresas e nos grandes projectos constitui uma via para promover a inclusão económica e permitir que mais moçambicanos beneficiem directamente da riqueza gerada no país.
“Isso vai permitir também que os moçambicanos possam se sentir incluídos na riqueza nacional”, concluiu.
(AIM)
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