Postes tombados durante a passagem da Tempestade Tropical. Foto arquivo
Marracuene (Maputo), 2 Set (AIM) – Os fenómenos climáticos extremos provocaram prejuízos estimados em 76 milhões de dólares à Electricidade de Moçambique (EDM), entre 2022 e 2026, obrigando a empresa a reforçar a resiliência das suas infra-estruturas de geração, transporte e distribuição de energia eléctrica.
O facto foi revelado hoje na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), que decorre em Ricatla, distrito de Marracuene, pelo director de Electrificação e Projectos na EDM, Sílvio Nurmahomed, durante um seminário subordinado ao tema “Desafios das Mudanças Climáticas no Sector Eléctrico”, realizado em Maputo.
Segundo Nurmahomed, só as cheias que afectaram a zona sul do país, em 2026, provocaram prejuízos estimados em 9,29 milhões de dólares.
O responsável explicou que, apesar dos investimentos em energias limpas e renováveis, incluindo centrais solares já em funcionamento e projectos de centrais solares e eólicas, os fenómenos climáticos continuam a constituir uma ameaça às linhas, subestações e demais infra-estruturas eléctricas.
“Mesmo com essas centrais construídas, algumas estão em operação, temos algumas centrais solares em operação, mas os fenómenos climáticos também vão afectar as linhas e as subestações”, afirmou.
Para responder ao problema, a EDM criou uma unidade de gestão de riscos e desastres climáticos, responsável por liderar acções de mitigação, adaptação e resiliência, tendo iniciado, em 2026, o recrutamento de profissionais para reforçar a sua capacidade de intervenção.
Nurmahomed destacou igualmente a necessidade de incorporar critérios de resiliência na construção de novas infra-estruturas e na manutenção das existentes.
“Toda a infra-estrutura que está sendo construída já tem em vista essa componente de resiliência, a construção já é uma construção resiliente”, explicou.
A empresa já mapeou infra-estruturas consideradas de alto risco, incluindo 11 torres na zona norte, oito na zona centro e 27 na zona sul. Na rede de distribuição, foram identificados 256 quilómetros de linhas de média tensão críticas no norte, 363 no centro e 266 no sul.
O responsável apontou, contudo, a limitação de recursos financeiros como um dos principais constrangimentos à implementação de medidas de adaptação em maior escala.
Para os próximos anos, a EDM estima a necessidade de mobilizar recursos para reforçar as redes de distribuição, transporte e subestações, bem como assegurar uma resposta rápida após a ocorrência de eventos extremos.
“São necessárias cerca de 103 milhões de dólares para o projecto, para usar até 2028, sendo 39 milhões para o primeiro ano de implementação”, disse.
Nurmahomed defendeu ainda a diversificação das fontes de fornecimento de energia e a instalação de soluções de emergência, como painéis solares e geradores, sobretudo em distritos remotos e infra-estruturas críticas, incluindo hospitais.
“Dentro desta matriz nós temos que incluir também alguma diversificação daquilo que é, digamos, as fontes de fornecimento de energia”, afirmou.
(AIM)
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