PR encontra-se com Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres
Maputo, 23 de Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se terça-feira 22, em Nova Iorque, com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, num encontro que reforça o diálogo entre Moçambique e a principal organização multilateral do mundo.
Antes da reunião bilateral, realizada no Secretariado das Nações Unidas, no 27.º andar, Chapo assinou o Livro de Honra das Nações Unidas, num gesto que antecedeu uma conversa centrada nas relações entre Moçambique e a organização, bem como nos principais temas da agenda internacional.
O encontro ocorre num momento particularmente simbólico para Guterres. O actual Secretário-Geral, que assumiu funções em 1 de Janeiro de 2017, encontra-se no último ano do seu mandato à frente das Nações Unidas. A 81.ª Sessão da Assembleia Geral marca, por isso, o seu último Debate Geral como Secretário-Geral, depois de quase uma década à frente da organização.
Na terça-feira, 22 de Setembro, Guterres abriu o Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral com um discurso marcado por um forte alerta sobre o agravamento das divisões internacionais.
“As linhas de divisão do nosso mundo estão aprofundando-se. As fissuras transformaram-se em abismos”, afirmou o Secretário-Geral, numa intervenção em que chamou a atenção para guerras prolongadas, violações dos direitos humanos, desigualdades, crise climática, enfraquecimento da confiança nas instituições internacionais e os rápidos avanços da inteligência artificial.
Guterres defendeu maior cooperação internacional e advertiu que os diferentes desafios globais não podem ser tratados como crises isoladas. Na sua leitura, conflitos, desigualdades, alterações climáticas e inteligência artificial fazem parte de uma transformação mais ampla das relações de poder no mundo.
O Secretário-Geral voltou também a defender a reforma das instituições multilaterais, incluindo do Conselho de Segurança, sublinhando a necessidade de uma representação mais justa de África nos mecanismos globais de decisão.
O discurso colocou ainda os direitos humanos no centro da resposta aos desafios contemporâneos, defendendo que o respeito pelo direito internacional, a protecção das populações civis e a responsabilização devem continuar a ser pilares da acção das Nações Unidas.
É neste ambiente de forte debate sobre o futuro do multilateralismo que Chapo apresenta hoje a posição de Moçambique.
O Presidente da República sobe hoje ao pódio da Assembleia Geral para apresentar a visão de Moçambique sobre os principais desafios globais.
A intervenção de Chapo está prevista para as 16h15, hora de Nova Iorque, sendo o Chefe do Estado o sexto orador inscrito. O discurso deverá abordar questões relacionadas com paz, desenvolvimento sustentável e parcerias estratégicas, apresentando igualmente as prioridades de Moçambique no actual contexto internacional.
A intervenção acontece depois da participação de Chapo na abertura do Debate Geral, na terça-feira, e de uma intensa agenda diplomática que incluiu contactos com dirigentes das Nações Unidas e de instituições financeiras internacionais.
De acordo com informações divulgadas pela Presidência, Moçambique pretende partilhar igualmente a sua experiência no domínio da promoção da paz, com destaque para o Diálogo Nacional Inclusivo, iniciativa que procura envolver diferentes segmentos da sociedade moçambicana.
O encontro entre Chapo e Guterres ganha uma dimensão particular pela relação histórica que o actual Secretário-Geral mantém com Moçambique.
Em Julho de 2019, Guterres realizou uma visita de solidariedade ao país, na sequência da devastação provocada pelos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram Moçambique com poucas semanas de diferença.
Durante a visita, esteve em Maputo e deslocou-se à cidade da Beira, uma das zonas mais devastadas pelo Idai. O Secretário-Geral visitou comunidades afectadas, encontrou sobreviventes e acompanhou os esforços de recuperação e reconstrução.
A relação de Guterres com Moçambique também passou por momentos relacionados com a situação de segurança e os direitos humanos. Perante a violência em Cabo Delgado, o Secretário-Geral tem reiteradamente defendido a protecção dos civis, o respeito pelo direito internacional humanitário e pelos direitos humanos.
A posição das Nações Unidas voltou a ser expressa em diferentes momentos à medida que o conflito provocava deslocações populacionais e agravava as necessidades humanitárias. Em 2022, Guterres reiterou o compromisso da ONU de apoiar Moçambique na resposta aos desafios de segurança e humanitários, na consolidação da paz e na promoção do desenvolvimento sustentável.
Mais recentemente, a ONU continuou a acompanhar a situação humanitária no país, incluindo os efeitos combinados de conflitos, choques climáticos e deslocações populacionais.
Depois do Idai e do Kenneth, o ciclone Freddy voltou a provocar uma forte crise humanitária em 2023. As Nações Unidas manifestaram solidariedade para com o Governo e o povo moçambicanos e mobilizaram apoio às populações afectadas.
Já em 2026, as cheias voltaram a atingir várias províncias moçambicanas. Em Janeiro, as Nações Unidas reportaram que mais de meio milhão de pessoas tinham sido afectadas pelas inundações no sul e centro do país, com danos significativos em estradas e infra-estruturas.
(AIM)
Paulino Checo/
