Maputo, 27 de Out (AIM) — A Itália e o Malawi estão a reforçar a cooperação técnica no sector da água, com enfoque na modernização das infra-estruturas, na qualidade dos serviços e na garantia de acesso sustentável à água potável.
A iniciativa, discutida na Câmara dos Deputados italiana, em Roma, pretende aproximar experiências e soluções para responder aos desafios do abastecimento e do saneamento, num contexto em que a gestão dos recursos hídricos assume crescente importância estratégica.
O encontro, subordinado ao tema «A água como recurso estratégico: governação, sustentabilidade e cooperação internacional», realizou-se na segunda-feira, 26 de Outubro, por iniciativa da deputada Patty L’Abbate, do Movimento Cinco Estrelas e membro da Comissão do Ambiente do Parlamento italiano. A reunião juntou representantes institucionais e responsáveis do sector da água dos dois países, com destaque para a distribuição de água potável e a qualidade dos serviços prestados às populações.
Apesar das diferenças entre os dois contextos, Itália e Malawi enfrentam um desafio comum: transformar os recursos hídricos disponíveis num serviço de abastecimento fiável, seguro e sustentável. Em Itália, as perdas nas redes de distribuição constituem uma das principais preocupações, enquanto, no Malawi, a disponibilidade de recursos hídricos exige investimentos em sistemas capazes de garantir que a água chegue à população em condições adequadas de qualidade e regularidade.
«Em Itália, o recurso água é escasso e a nossa rede é uma verdadeira peneira», afirmou Patty L’Abbate, ao chamar a atenção para as deficiências das infra-estruturas de distribuição. No caso do Malawi, a deputada defendeu que a existência de recursos hídricos significativos deve ser acompanhada pelo desenvolvimento de redes eficientes e seguras.
A parlamentar considerou que a partilha de experiências entre os dois países deverá traduzir-se em investimentos na prevenção, na modernização das infra-estruturas e na transferência de soluções técnicas, de modo a melhorar a gestão dos sistemas de abastecimento.
A iniciativa enquadra-se numa missão de estudo em Itália de sete responsáveis do Blantyre Water Board, entidade pública responsável pelo abastecimento de água na cidade de Blantyre e nas zonas circundantes, no Malawi. A delegação, liderada pelo director-geral, Henri Mathelo Bakuwa, está a realizar encontros com instituições públicas, operadores e empresas do sector nas cidades de Roma, Florença, Prato e Milão, com o objectivo de conhecer modelos de organização e práticas de gestão aplicados em Itália.
A visita integra um projecto de assistência técnica com a duração de dois anos, lançado em Maio de 2025 pela empresa italiana Ambiente Srl, com financiamento do Banco Mundial. O programa visa apoiar o Blantyre Water Board na implementação de um sistema de gestão da qualidade conforme à norma internacional ISO 9001, abrangendo a definição de procedimentos operacionais, a formação dos trabalhadores e a realização de auditorias necessárias à certificação.
Segundo as informações apresentadas no âmbito da iniciativa, o projecto de assistência técnica faz parte de um programa mais amplo destinado a melhorar os serviços de abastecimento de água e saneamento em Blantyre, que deverá beneficiar directamente mais de 500 mil habitantes, de acordo com as autoridades locais. Para além do reforço da capacidade institucional, o programa global contempla obras de reabilitação das infra-estruturas de água e saneamento.
Durante a conferência, intervieram igualmente Vincenzo Ercole Salazar Sarsfield, da Direcção-Geral para a Promoção do Sistema-País, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional de Itália; Andrea Lanuzza, administrador-delegado da Aquanexa; e David Giraldi, representante da Ambiente Srl. As conclusões foram apresentadas por Livio De Santoli, comissário da Autoridade de Regulação da Energia, das Redes e do Ambiente (ARERA).
Na ocasião, Andrea Lanuzza sublinhou que a qualidade dos serviços de abastecimento depende de uma governação clara, de processos de gestão sólidos e de pessoal devidamente qualificado. A declaração colocou em evidência uma das principais questões debatidas no encontro: a melhoria dos serviços de água não depende apenas da construção de novas infra-estruturas, mas também da capacidade das instituições para assegurar a sua manutenção, estabelecer regras de funcionamento e gerir os sistemas de forma eficiente.
Para o Malawi, o reforço destas capacidades poderá contribuir para melhorar a continuidade e a acessibilidade do abastecimento de água. Para Itália, a cooperação representa uma oportunidade de partilhar conhecimentos técnicos e, simultaneamente, reflectir sobre as fragilidades da sua própria rede de distribuição.
(AIM)
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