Maputo, 05 de Out (AIM) – Líderes africanos reuniram-se este domingo, 4, em El-Alamein, no Egipto, para acelerar a integração continental e transformar as ambições da União Africana em projectos concretos capazes de gerar desenvolvimento e benefícios para os cidadãos.
O 8.º Encontro de Coordenação de Meio do Ano da União Africana (UA) colocou no centro dos debates a implementação da Agenda 2063, o reforço da cooperação entre os blocos regionais e a criação de condições para uma África mais integrada, industrializada e economicamente soberana.
Na abertura do encontro, o Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, lançou um apelo para que os países africanos passem da aspiração à implementação, defendendo uma maior coordenação entre a União Africana, as Comunidades Económicas Regionais (CER) e os Mecanismos Regionais.
Para o responsável, a integração continental requer investimento, infra-estruturas, capacidade produtiva e mecanismos financeiros capazes de sustentar a transformação económica do continente.
Youssouf destacou a necessidade de reforçar a arquitectura financeira africana e aumentar a capacidade produtiva como condições para impulsionar a industrialização e o comércio intra-africano.
Segundo a mensagem apresentada no encontro, o sucesso da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) dependerá, em grande medida, da capacidade dos países de ultrapassar os constrangimentos relacionados com infra-estruturas, financiamento e produção.
O Presidente egípcio, Abdel Fattah El Sisi, país anfitrião do encontro, defendeu igualmente a necessidade de transformar as ambições continentais em projectos concretos, com impacto directo na vida das populações.
El Sisi apelou ao reforço da integração económica, à expansão da indústria transformadora, à transferência de tecnologia e ao aumento da agregação de valor dentro do continente.
A aposta, segundo o Presidente egípcio, deve permitir que África deixe de desempenhar predominantemente o papel de fornecedora de matérias-primas e passe a participar em maior escala nas diferentes etapas de produção, transformação e comercialização dos seus próprios recursos.
Reafirmou, ao mesmo tempo, a importância do respeito pela soberania e pela integridade territorial dos Estados africanos, bem como do diálogo como instrumento para preservar a paz e a estabilidade.
O Presidente da União Africana e Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, considerou o encontro uma plataforma fundamental para harmonizar os esforços de integração desenvolvidos pelas diferentes regiões do continente.
Ndayishimiye apontou os défices de infra-estruturas, as dificuldades de financiamento, a insegurança e a limitada capacidade produtiva como alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento africano.
Perante estes desafios, defendeu uma estratégia assente no aumento da produção e transformação dentro do próprio continente, sintetizada na necessidade de África produzir em África, transformar em África e acrescentar valor aos seus recursos em África.
A mensagem coloca a industrialização e a agregação de valor na agenda de desenvolvimento, numa altura em que os países africanos procuram aprofundar o comércio entre si e reduzir os obstáculos à circulação de bens e serviços.
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) participou no encontro através do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na qualidade de Presidente em exercício da organização regional, e do Secretário Executivo da SADC, Elias M. Magosi.
A participação da SADC insere-se nos esforços de articulação entre as organizações regionais e a União Africana, num processo que procura aproximar as diferentes iniciativas de integração e evitar a fragmentação dos esforços de desenvolvimento.
A coordenação entre os blocos regionais é considerada essencial para concretizar os objectivos da integração continental, sobretudo em áreas como infra-estruturas, comércio, industrialização, paz e segurança e mobilização de recursos financeiros.
Os trabalhos do encontro deverão incidir sobre a transformação económica, desenvolvimento de infra-estruturas, paz e segurança, soberania financeira, cooperação regional e implementação efectiva da Agenda 2063, visão estratégica da União Africana para a construção de “A África Que Queremos”.
O desafio colocado aos líderes é transformar esta visão em resultados concretos.
A paz e a estabilidade permanecem, igualmente, como condições indispensáveis para este processo. Sem segurança, alertam os líderes africanos, dificilmente será possível consolidar investimentos, expandir a produção e concretizar a transformação económica pretendida.
O encontro de El-Alamein reflitiu sobre como transformar a visão de uma África integrada numa realidade económica capaz de gerar emprego, riqueza e melhores condições de vida para os seus cidadãos.
(AIM)
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