Maputo, 06 Out (AIM) – O Governo moçambicano pretende incubar pelo menos mil empreendedores do agronegócio por ano, como parte das medidas para transformar a agricultura de subsistência numa actividade geradora de rendimento e emprego.
Anunciou hoje o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino.
“A nossa meta é que, no mínimo, mil empreendedores sejam incubados por ano. É o mínimo. Mas temos condições para mais”, afirmou Albino, durante a abertura do Seminário sobre Desenvolvimento do Agronegócio em Moçambique, realizado hoje em Maputo.
Segundo o governante, o programa de incubação deverá ser lançado ainda este ano e contará com a participação do sector privado e das associações, não devendo ficar limitado às estruturas do Estado.
“Por isso que vamos lançar, ainda este ano, um amplo programa de incubação no agronegócio”, disse, explicando que a iniciativa pretende responder à necessidade de conhecimento para quem se pretende dedicar a uma agricultura orientada para o mercado.
Albino explicou que a transformação da agricultura exige mais do que financiamento, sendo necessário dotar os empreendedores de conhecimentos e capacidade para desenvolver negócios sustentáveis ao longo das diferentes cadeias de valor.
O ministro revelou que o Governo está igualmente a trabalhar com a GAPI, instituição financeira de desenvolvimento, para canalizar recursos aos produtores, sem excluir a participação dos bancos comerciais.
“Pelo menos para fazer chegar créditos aos produtores”, afirmou, referindo-se ao papel da GAPI no financiamento do sector.
Segundo Albino, mais de 400 operações já foram financiadas no primeiro ano de cooperação, considerando que se trata de operações reais, com produtores que estão a desenvolver actividades no campo.
O governante defendeu ainda o fortalecimento do associativismo especializado, considerando necessário abandonar abordagens genéricas e organizar os produtores de acordo com as diferentes cadeias de valor.
“Temos que falar de associativismo na especialidade”, afirmou, apontando áreas como produção de sementes, horticultura, arroz, mecanização agrícola e insumos.
Albino disse que o Executivo pretende igualmente promover um cooperativismo orientado para negócios, no qual produtores com interesses comuns possam juntar-se para explorar conjuntamente uma determinada cadeia de valor.
“É formar cooperativas, juntar indivíduos que comungam dos mesmos ideais de negócio e que querem participar conjuntamente para explorarem uma fileira e daí fazer dinheiro”, explicou.
Por sua vez, o presidente da Federação Nacional das Associações de Camponeses e Produtores Agrários (FENAGRI), Ângelo Cumaio, apontou o acesso ao financiamento e a redução da burocracia como algumas das principais preocupações dos produtores, defendendo maior diálogo entre o sector e o Governo.
O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, destacou a necessidade de um associativismo moderno, profissional e orientado para resultados, capaz de facilitar o acesso dos pequenos produtores ao financiamento, tecnologia, informação e mercados.
“Precisamos de um associativismo moderno, profissional e orientado para resultados”, afirmou Monteiro.
O diplomata defendeu igualmente uma abordagem que permita transformar a produção agrícola em negócios capazes de gerar valor acrescentado, emprego e oportunidades de exportação.
O Seminário sobre Desenvolvimento do Agronegócio em Moçambique reúne representantes do Governo, sector privado e parceiros de cooperação para discutir mecanismos de financiamento, organização dos produtores e condições para o crescimento do agronegócio no país.
(AIM)
SNN/PC
