Maputo, 6 de Outubro de 2026 — O Governo moçambicano destacou, esta terça-feira, o papel da ciência e da investigação científica no desenho de políticas públicas, no ordenamento territorial e na mitigação dos desastres naturais, defendendo que as decisões sobre desenvolvimento sustentável devem ser cada vez mais baseadas em evidências científicas.
A posição foi expressa pelo Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuácua, na abertura do 11.º Congresso Internacional sobre Sustentabilidade Ambiental e Territorial, realizado na Universidade Joaquim Chissano, em Maputo.
“Precisamos da ciência para ditar as políticas públicas de ordenamento do território, conservação da biodiversidade e mitigação de desastres”, afirmou Macuácua.
Sublinhou a necessidade de aproximar a produção científica dos processos de governação e das necessidades concretas das comunidades.
Para o governante, a ciência deve deixar de estar confinada ao espaço académico e transformar-se num instrumento de resposta aos problemas que afectam directamente o país.
“A investigação só ganha valor real quando é aplicada para resolver problemas concretos dos nossos distritos e províncias”, disse.
A preocupação ganha particular relevância no contexto moçambicano, marcado pela exposição recorrente a fenómenos meteorológicos extremos.
Segundo Macuácua, Moçambique está na linha da frente global dos impactos climáticos, devido à sua localização e configuração geográfica, enfrentando ciclones tropicais, cheias severas e períodos prolongados de seca.
O Secretário de Estado apontou, neste quadro, a necessidade de reforçar a capacidade científica nacional para apoiar a protecção das comunidades costeiras e rurais, a segurança alimentar e a gestão sustentável dos recursos naturais.
“Os desafios são globais, como o aquecimento do planeta, mas as respostas eficazes são profundamente locais”, afirmou.
Macuácua enquadrou os desafios nacionais numa crise ambiental global caracterizada por alterações climáticas aceleradas, perda de biodiversidade e poluição. Acrescentou que em Moçambique, estes fenómenos combinam-se com problemas como a pressão urbanística desordenada nas zonas costeiras, a desertificação e o abandono de áreas interiores.
O governante destacou ainda os desafios associados à transição energética e à necessidade de conciliar novas formas de produção de energia com a preservação dos ecossistemas, da agricultura e das paisagens.
Considerou que o ensino superior e a investigação científica devem assumir uma função estratégica na produção de conhecimento capaz de orientar decisões públicas. “Não haverá transição verde nem coesão territorial sem conhecimento fundamentado”, declarou.
Segundo Macuácua, universidades e centros de investigação devem produzir dados e tecnologias que permitam compreender as dinâmicas climáticas, melhorar a monitorização territorial e desenvolver soluções para uma economia mais sustentável.
O 11.º Congresso Internacional sobre Sustentabilidade Ambiental e Territorial reúne investigadores, académicos e especialistas nacionais e estrangeiros para discutir respostas aos desafios ambientais e territoriais. O encontro é promovido pela Universidade Joaquim Chissano, em parceria com a Universidade Save e a Fundação para a Sustentabilidade Ambiental.
Macuácua considerou o congresso histórico por decorrer pela primeira vez em África e defendeu que a realização do encontro em Moçambique reforça o posicionamento das instituições nacionais de ensino superior como espaços de produção e intercâmbio de conhecimento científico.
O Secretário de Estado reiterou o compromisso do Governo de continuar a apoiar a ciência ao serviço do desenvolvimento sustentável.
(AIM)
Paulino Checo
