Nampula (Moçambique), 11 OUT (AIM) – O Governador da província de Nampula, no norte de Moçambique, Eduardo Abdula, exortou a sociedade, em particular os jovens, a não entregarem o seu futuro aos traficantes de droga, numa altura em que esta parcela do país é apontada pelas autoridades como corredor de passagem de substâncias ilícitas.
Abdula fez o apelo este domingo, durante um encontro popular organizado pelo Conselho Provincial de Álimos, no populoso bairro de Namicopo, referenciado como uma das zonas onde se registam casos de tráfico e consumo de drogas, incluindo a metanfetamina adulterada, localmente conhecida por makhá (sal).
O encontro contou com a participação de centenas de pessoas, maioritariamente mulheres e jovens, e serviu para divulgar mensagens de sensibilização sobre os perigos associados à venda e ao consumo de drogas.
“Hoje, quero falar-vos não apenas como governador, mas também como pai. Aos jovens de Namicopo, quero deixar uma mensagem muito simples: quem vos vende droga não é vosso amigo, não se preocupa com a vossa saúde nem com o vosso futuro. O traficante ganha dinheiro à custa da vossa vida e do sofrimento das vossas famílias. Não lhe entreguem o vosso futuro, não o deixem nas mãos dos traficantes. Queremos fazer de Namicopo um exemplo de mobilização comunitária contra a droga”, afirmou.
O governante referiu que as autoridades já mapearam os locais de concentração de actividades de tráfico, venda e consumo de drogas, uma situação que continua a preocupar as famílias, que assistem ao envolvimento dos seus filhos neste problema.
Segundo Abdula, as drogas estão a ser comercializadas em vários locais, incluindo nas imediações de escolas primárias e secundárias, dissimuladas em alimentos prontos a consumir.
“A droga deixou de ser um problema distante. Está nos nossos bairros, nas comunidades e, infelizmente, à porta das nossas casas. Há mães que já não conseguem dormir, pais que perderam a autoridade sobre os filhos e jovens que abandonaram a escola e os seus sonhos por causa da makhá. Não podemos aceitar que esta seja a realidade de Namicopo, nem de qualquer outro bairro da nossa província”, declarou.
Abdula apelou igualmente ao envolvimento activo dos líderes religiosos na sensibilização das comunidades e no combate à venda e ao consumo de drogas, sublinhando que estas substâncias comprometem a capacidade de discernimento e contrariam os ensinamentos do Islão.
“Quem vende droga aos nossos jovens não está apenas a cometer um crime, mas também a destruir famílias e a comprometer o futuro da nossa comunidade. Por isso, decidimos, anteriormente, agir através do nosso plano de 90 dias de combate à droga. Mapeámos as principais escolas onde tínhamos a certeza de que havia pessoas a vender droga, dissimulada em chamussas, badjias e sandes. Actuámos todos os dias e, até esta madrugada, recebi uma mensagem do meu comandante a informar que apreendemos droga. Estamos a trabalhar”, afirmou.
Eduardo Abdula, governador de uma das províncias mais populosas do país, com cerca de sete milhões de habitantes, apelou à colaboração de toda a sociedade para o sucesso das acções de combate ao tráfico, à venda e ao consumo de drogas.
Segundo os dados apresentados, cerca de 3,5 milhões de habitantes da província têm entre zero e 17 anos, o que reforça a importância da protecção das crianças e dos jovens face aos riscos associados ao consumo e à comercialização de substâncias ilícitas.
(AIM)
