Consumo de droga aumenta em Maputo
Maputo, 22 Mai (AIM) – As unidades sanitárias atenderam 23.409 pacientes pelo consumo de drogas no ano de 2024, dos quais 11.355 na cidade de Maputo, capital moçambicana, cifra que representa 48,5 por cento.
Segue-se a província de Manica (6.451), e Sofala (2.606), sendo o álcool e a cannabis sativa, entre as substâncias mais consumidas.
Esta informação foi divulgada pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD) em conferência de imprensa hoje (22), em Maputo, para a apresentação do “Relatório Anual Sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas Registada no País, no Ano de 2024”.
A maioria dos pacientes, com perturbações mentais e de comportamento (PMC), são maioritariamente jovens, incluindo adolescentes e mulheres, que deram entrada nos serviços de psiquiatria e saúde mental, decorrentes do consumo de substâncias psicoactivas, o que representa um incremento de 41,78%, quando comparado com 16.511 pacientes atendidos em igual período de 2023.
“O álcool e a cannabis sativa continuam a ser as principais causas de procura de atendimentos médico por seu uso abusivo e os serviços de saúde mental estão cada vez mais próximos da comunidade, o que permite maior atendimento de pacientes e, deste modo, contribui para o diagnóstico precoce das PMCs”, disse esta quinta-feira (22), em Maputo, o chefe do Departamento de Educação Pública e Divulgação, José Bambo, em conferência de imprensa.
A venda e o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e seus derivados ocorrem com maior frequência nas áreas de restauração e bebidas, estabelecimentos de ensino e suas proximidades, bem como em espaços de diversão, ginásios e de jogos de azar.
“Na cidade de Maputo foram fiscalizados 23 estabelecimentos de ensino de um total de 56, tendo sido emitidos 15 avisos de encerramento da actividade, pelo facto de os locais se encontrarem muito próximos das unidades de ensino”, afirmou.
Bambo referiu ainda que, durante as fiscalizações foram detectadas infracções, tais como a frequência de menores nos estabelecimentos de diversão nocturna, falta de placas de proibição de entrada e permanência de menores de 18 anos nesses estabelecimentos, venda e consumo de tabaco e bebidas alcoólicas por menores de 18 anos, e falta de locais reservados para fumadores em alguns empreendimentos turísticos.
Além disso, destacou os principais constrangimentos que condicionaram as actividades de prevenção e combate ao consumo e tráfico de drogas em 2024, a insuficiência de pessoal especializado; exiguidade de recursos financeiros, humanos e materiais para a investigação criminal; exiguidade de equipamentos e meios (aéreos, marítimos e terrestres) e falta de centros especializados para o tratamento e reabilitação de toxicodependentes.
Aliás, explicou que o país tem sido usado pelos traficantes como principal corredor de drogas para diferentes partes do mundo, usando as rotas Afeganistão – Paquistão – Pemba – Zambézia – Maputo – África do Sul (metanfetamina, heroína e anfetamina); São Paulo – Adis Abeba – Maputo – África do Sul (Cocaína); São Paulo – Lisboa – Maputo – África do Sul (Cocaína), e Índia – Moçambique (Cocaína).
“Neste período de 2024, as drogas foram ocultadas em malas de viagem, colunas, anti-transparentes, rebuçados, assim como no interior de bidões, livros, tambores, loiça sanitária, viaturas, embarcações de pesca e residências”, acrescentou.
As autoridades afirmam que Moçambique é o país de eleição dos traficantes de drogas, devido à localização geográfica do país, vasta fronteira terrestre, extensa costa marítima e existência de um sistema de transporte e comunicações que serve a região Austral de África, factores que o crime organizado procura usar em seu benefício nas suas actividades ilícitas, incluindo o tráfico de drogas e outras substâncias proibidas.
Segundo o chefe da Repartição Central de crimes contra a ordem e tranquilidades públicas, Eusébio Nhamússua, a prevenção e o combate do tráfico de estupefacientes e substâncias psicotrópicas e preparados ou outras substâncias de efeitos similares, depende da diminuição da oferta de drogas, através da presença de fiscais nos locais propensos a entradas de drogas, escolas, comunidades, fronteiras aéreas, terrestres e marítimas.
“É necessário, também, incrementar a consciencialização e sensibilização de adolescentes, jovens e do público em geral, sobre os malefícios do consumo e tráfico de drogas, privilegiando o uso de tecnologias de informação e comunicação (TICs), em coordenação com os líderes comunitários, confissões religiosas, sociedade civil e parceiros de cooperação”, acrescentou.
O Dia Internacional de luta contra o consumo e tráfico ilícito de drogas assinala-se a 26 de Junho.
(AIM)
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