Nacala-Porto, 22 Out (AIM) – A Twigg Exploration & Mining Limitada defende a criação de uma plataforma de diálogo entre produtores, exportadores, alfândegas, portos e linhas de navegação, para harmonizar procedimentos e reduzir custos e demora no processo de exportação em Moçambique.
De acordo com Laura Mateus, representante da empresa que opera a mina de grafite natural de Balama, na província nortenha de Cabo Delgado, uma das maiores do mundo, tem de se garantir que todos os intervenientes estejam alinhados.
“Eu acredito que tem de haver uma plataforma de conversa entre esses intervenientes todos, para garantir que todos nós saibamos quais são as necessidades de cada um, para que o nosso processo [de produção e comercialização] esteja alinhado”, afirmou.
Laura Mateus falava esta quarta-feira (21), no distrito portuário de Nacala, província nortenha de Nampula, durante um painel sobre as necessidades logísticas actuais e futuras das empresas mineiras que operam em Moçambique, no âmbito da primeira edição da Conferência e Exposição sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Energia Disponíveis (CAVAME-d).
Segundo Mateus, os procedimentos de exportação não podem ser tratados isoladamente, uma vez que as operações dos diferentes intervenientes estão interligadas e dependem da articulação entre si.
“Não podemos ter processos da alfândega que contradizem o processo do porto. Não podemos ter processos das linhas de navegação que contradizem os outros processos”, declarou.
A fonte considera que a falta de alinhamento entre as entidades envolvidas obriga os operadores a repetir etapas e a enfrentar demoras, com consequências directas nos custos das operações.
“Enquanto não houver essa comunicação, vamos estar sempre a perder dinheiro, porque temos que ir para frente e para trás”, afirmou.
Mateus acrescentou que a morosidade dos procedimentos encarece as operações de todos os agentes económicos que pretendem colocar os seus produtos nos mercados internacionais, afectando a eficiência e a competitividade das exportações nacionais.
A representante da Twigg apontou, também, as condições das infra-estruturas rodoviárias como um factor que agrava os custos logísticos da empresa, que opera e transporta grafite da mina de Balama para os portos de exportação.
Segundo explicou, o percurso entre Balama e Nacala, que anteriormente era realizado em cerca de 10 horas, passou a demorar mais de 15 horas. Já a ligação a Pemba passou de entre seis e oito horas para mais de 11 horas.
O aumento do tempo de transporte implica despesas adicionais com camiões e manutenção, além de dificultar o cumprimento dos contratos celebrados com os clientes.
Para Mateus, a melhoria da competitividade das exportações exige, por isso, uma abordagem integrada, que combine a articulação institucional com a manutenção das estradas e a adequação das infra-estruturas às necessidades actuais da actividade económica.
A responsável defendeu que a coordenação entre os intervenientes deve permitir que os diferentes procedimentos se complementem, evitando entraves administrativos que aumentem o tempo e o custo de movimentação de mercadorias.
Subsidiaria integral da Syrah Resources Limited, empresa cotada na Bolsa de Valores da Austrália, a Twigg opera uma mina com capacidade de produzir grafite natural na ordem de 350 mil toneladas por ano.
(AIM)
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