Nacala-Porto, 22 Out (AIM) – O Governo moçambicano pretende reforçar a ligação entre a investigação científica e a actividade mineira, promovendo o conhecimento geocientífico como instrumento para melhorar a prospecção, o processamento, a certificação e a comercialização de gemas e metais preciosos.
O facto foi revelado hoje (22), em Nacala-Porto, província nortenha de Nampula, pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, durante a abertura da exposição de gemas e metais preciosos, integrada na oitava edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA 2026) e na primeira Conferência de Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d).
“A adição de valor começa no conhecimento. Por isso, a FAGENA não se esgota na exposição. Hoje e amanhã decorrerão sessões de comunicações científicas, que trazem a ciência para o centro do negócio mineiro”, sublinhou.
Segundo o governante, as sessões científicas vão abordar matérias relacionadas com a geologia, a geofísica, a mineração artesanal e de pequena escala, bem como o contributo da investigação geocientífica para a prospecção, o ordenamento territorial e a tomada de decisões.
O programa inclui temas sobre certificação e processamento de gemas e metais preciosos, sustentabilidade ambiental, licenciamento mineiro e Processo Kimberley, com enfoque nos procedimentos legais aplicáveis à comercialização e exportação de produtos minerais.
Pale disse esperar que os debates produzam recomendações concretas para melhorar a investigação, o licenciamento, a comercialização, a certificação, a rastreabilidade e a monitoria ambiental.
“Encorajo, assim, os expositores, os operadores e os estudantes a participarem nestes debates, porque é neles que o conhecimento se transforma em melhores práticas e em melhores negócios”, apelou.
O ministro destacou que a integração da FAGENA na CAVAME-d responde à necessidade de processar localmente a matéria-prima mineral, no quadro da estratégia de industrialização do País.
Explicou que uma parte significativa das gemas e dos metais preciosos moçambicanos continua a sair do território nacional em bruto, fazendo com que o valor acrescentado nas etapas de lapidação, certificação, joalharia e comercialização seja capturado no estrangeiro.
“Cada elo que conseguirmos fixar em Moçambique traduz-se em mais emprego, sobretudo para os jovens, em maiores rendimentos para os mineradores, em mais receitas para o Estado e em novas oportunidades para as pequenas e médias empresas nacionais”, afirmou.
O governante apontou ainda a formalização do comércio de gemas e metais preciosos e a tributação da sua comercialização entre os objectivos da iniciativa, além da melhoria dos ganhos dos mineradores artesanais e da divulgação do conhecimento produzido no País sobre as gemas e as respectivas jazidas.
A exposição apresenta, para além de gemas e metais preciosos, conceitos de processamento, tecnologias utilizadas na pesquisa e no tratamento de minerais e equipamentos de protecção individual para a actividade mineira.
A programação inclui também a partilha da experiência do Quénia na construção de uma cadeia de valor sustentável a partir dos pequenos mineradores.
A FAGENA é um evento de promoção dos recursos geológico-mineiros moçambicanos e das geociências, realizado periodicamente na província de Nampula.
(AIM)
SNN/mz
