Maputo, 27 Out (AIM) – O Ministro da Educação e Cultura, Édson Macuácua, considera que as mudanças no papel do Estado no mercado de trabalho obrigam as universidades a rever os seus modelos de formação, preparando os graduados para uma realidade em que a conclusão do curso já não garante colocação profissional.
“O Estado já não faz aquelas colocações após a formação”, disse hoje, em Maputo, durante o diálogo “Dado sem Filtros — Conversas Reais Hoje, Raízes Fortes Amanhã”.
Macuácua explicou que, nos primeiros anos após a independência nacional, o Estado assumia um papel determinante na formação e colocação dos quadros, numa altura em que o país precisava de técnicos para assegurar o funcionamento dos diferentes sectores.
Segundo o governante, as transformações políticas e económicas registadas posteriormente alteraram esse cenário, passando o Estado a desempenhar sobretudo uma função reguladora, sem a responsabilidade de garantir emprego aos graduados.
Para Macuácua, esta mudança exige uma resposta das instituições de ensino superior, que devem adaptar os seus sistemas de formação às actuais condições do mercado de trabalho.
O ministro defendeu que a preparação universitária deve desenvolver nos estudantes capacidades para identificar oportunidades, inovar e criar soluções, em vez de se limitar à transmissão de conhecimentos técnicos para o exercício de uma profissão.
“Ser empreendedor significa agregar valor ao que já existe”, afirmou, explicando que o empreendedorismo também consiste em introduzir novas formas de fazer as coisas para alcançar melhores resultados.
Macuácua considerou que esta abordagem pode contribuir para uma participação mais activa dos graduados no desenvolvimento económico e social, através da aplicação dos conhecimentos adquiridos na universidade à resolução de problemas concretos.
O governante sublinhou, por isso, a necessidade de uma mudança no sistema e no conceito de formação, de modo a acompanhar as transformações da sociedade e as novas exigências profissionais.
A intervenção teve lugar no âmbito do diálogo universitário promovido pela organização PAPO (Pregando Amor Pelas Obras), dedicado à reflexão sobre os desafios da juventude e o papel da formação na preparação para o futuro.
(AIM)
SNN/pc
