Maputo, 1 de Novembro (AIM) – O ministro da Saúde, Ussene Isse, anunciou, este domingo, que uma equipa multissectorial está no terreno a realizar um trabalho de avaliação para determinar a extensão dos danos provocados pelo incêndio nos equipamentos do Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM).
Segundo o governante, embora as chamas não tenham atingido o bunker, área considerada o coração dos serviços de radioterapia, onde se encontram equipamentos especializados, é necessário aguardar pelos resultados da avaliação técnica antes de determinar o estado de funcionamento dos aparelhos.
Isse explicou que estes equipamentos são altamente sensíveis às temperaturas elevadas, pelo que a ausência de danos visíveis não significa, necessariamente, que estejam em condições de funcionamento.
O ministro garantiu, entretanto, que o incêndio não provocou vítimas mortais nem feridos. Dos 22 pacientes que se encontravam internados na enfermaria de Oncologia, todos foram evacuados atempadamente, graças à intervenção dos diferentes sectores envolvidos na operação de socorro.
«Neste incêndio não registámos perda de vidas humanas. Dos 22 doentes que estavam internados na enfermaria de Oncologia, foram evacuados a tempo e horas. Não registámos nenhum ferido», afirmou.
Dos 22 pacientes evacuados, 12 tiveram alta hospitalar, enquanto os restantes 10 foram transferidos para o Serviço de Dermatologia, onde continuam a receber assistência médica e acompanhamento psicológico.
O Ministério da Saúde accionou, no HCM, um protocolo de salvamento e de continuidade dos serviços, com vista a garantir que os pacientes com cancro não fiquem privados dos cuidados de que necessitam.
Neste contexto, foi criada uma unidade de atendimento e apoio aos doentes oncológicos, para assegurar a assistência aos pacientes que necessitam de internamento e aos que recebem tratamento em regime ambulatório.
«A nossa missão é salvar vidas e vamos cuidar de vocês. Traçámos este plano no HCM para poder acolher, a partir de amanhã (2), os doentes que vêm para o internamento e os que vêm para o tratamento ambulatório», assegurou o ministro.
O governante destacou ainda a intervenção de várias instituições públicas, com particular referência ao Serviço Nacional de Salvação Pública, aos bombeiros do Aeroporto Internacional de Maputo, à Agência Nacional de Energia Atómica e aos profissionais de saúde, cuja actuação foi determinante para evitar consequências mais graves.
Sem risco de contaminação radioactiva
Relativamente aos riscos de exposição à radiação, Ussene Isse esclareceu que a cápsula de cobalto, utilizada nos procedimentos de radioterapia, foi retirada em segurança e encontra-se devidamente guardada, graças à colaboração técnica da Agência Nacional de Energia Atómica.
O ministro explicou que a cápsula contém uma fonte radioactiva utilizada no tratamento do cancro, cuja manipulação exige cuidados especializados, tendo assegurado que não existe risco de contaminação radioactiva.
Acrescentou que foram realizadas medições de radiação nas imediações da área de radioterapia, tendo os resultados sido negativos, com registo de zero, o que afasta, igualmente, o risco de exposição para a população residente nas proximidades do serviço.
«Gostaria de realçar mais uma vez que não há risco de contaminação», sublinhou.
Apesar das garantias sobre a segurança radiológica, o ministro reiterou que a avaliação dos equipamentos continua a ser uma prioridade, sobretudo por se tratar de um serviço altamente especializado e essencial para o tratamento de doentes oncológicos.
O governante considerou que o incidente poderia ter-se transformado numa grande tragédia, tendo em conta o número de vidas humanas que se encontravam em risco no momento em que deflagrou o incêndio.
Na mesma ocasião, apelou à população para evitar a divulgação de vídeos e informações falsas sobre o incidente, advertindo que a circulação de conteúdos descontextualizados pode gerar medo e desinformação na sociedade.
Isse pediu ainda que os cidadãos acompanhem as informações oficiais divulgadas pelo Governo, pelo Ministério da Saúde e pelo Hospital Central de Maputo.
O HCM deverá divulgar, na próxima segunda-feira (2), informações clínicas actualizadas sobre a situação dos pacientes afectados pelo incidente.
O ministro reiterou que a saúde constitui uma das prioridades do Presidente da República, Daniel Chapo, no âmbito da aposta numa assistência sanitária mais próxima dos cidadãos.
(AIM)
