Legenda: Máquina de radioterapia
Maputo, 04 Ago (AIM) – O Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade hospitalar de Moçambique, retomou esta segunda-feira (04) os serviços de radioterapia.
A retoma acontece após uma paralisação de 15 meses devido a avaria do equipamento.
Durante o período de interrupção, os pacientes com cancro viram os seus tratamentos interrompidos ou adiados, agravando o seu estado clínico.
O relançamento dos Serviços de Radioterapia no HCM foi anunciado pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse.
Segundo o titular da pasta de Saúde, no período em que a máquina esteve avariada houve registo de várias mortes.
“Devolvemos o tratamento aos pacientes, para salvar mais vidas, estejam vigilantes para que este tratamento fique por muito tempo, e não tenhamos situações como a que passamos. Foi muito difícil para mim”, disse Ussene Isse.
Acrescentou que, “a máquina de radioterapia é utilizada para destruir células cancerígenas ou impedir que estas se multipliquem”.
O director do HCM, Mouzinho Saíde referiu que cerca de 200 pacientes com cancro aguardam pelo serviço de radioterapia, e a avaria da máquina resultou em graves complicações aos pacientes com cancro em um estado avançado.
“Nos últimos 15 meses, os aparelhos aqui de radioterapia não estavam a funcionar e os doentes não puderam beneficiar deste tratamento. A inexistência deste serviço, de facto, traz complicações muito grandes para alguns doentes que precisam deste tratamento e não tiveram a oportunidade de tê-lo, particularmente, aqueles doentes em fases mais avançadas”, disse.
Mouzinho disse serem necessários mais de dois milhões de dólares (o dólar custa perto de 64 Meticais) para a manutenção do equipamento.
“Este serviço é bastante caro e, por isso, é que a sua reparação não foi fácil. A capacidade interna do país é limitada para fazer a manutenção do equipamento, pois precisamos, muitas vezes, de ter equipas que vêm de fora do país”, referiu.
Acrescentou que, “que estamos a ver é a necessidade de fazer acordos de manutenção com empresas que possam providenciar serviços altamente qualificados, para que não tenhamos futuramente problemas como os que foram registados”.
Os pacientes mostram sua satisfação pela retoma do serviço porque mesmo depois de terem sido submetidos a cirurgias, devem fazer tratamento para impedir a reprodução e multiplicação das células cancerígenas, sendo que alguns lutando pela vida recorriam ao tratamento fora do país.
“Sentia sempre dores de estômago, então aproximei-me a unidade sanitária, ao hospital provincial nesse caso. Eu venho transferido de Inhambane e lá descobriram um tumor, e aqui vieram descobrir que é cancro no estômago”, disse ibrahimo.
“Depois de ouvir sobre o surgimento do cancro sempre apalpava os meus seios, então, um dia peguei-me e senti algo diferente e fui mostrar no hospital e depois de análises diagnosticaram o cancro de mama. Faço o tratamento há três anos”, revela Natália.
O serviço de radioterapia no HCM, o primeiro no país, foi inaugurado a 28 de Março de 2019, a construção e apetrechamento da infra-estrutura custou 17 milhões de dólares, parte dos quais financiados pelo Orçamento do Estado.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG) /sg
