Agricultura. Colheita de arroz. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 09 Out (AIM) – O Governo moçambicano defende a criação de mecanismos de financiamento acessíveis e sustentáveis, adaptados à realidade dos produtores, e o reforço da coordenação entre os pincipais intervenientes do sector agrário, visando transformar a agricultura num sector competitivo e orientado para o mercado.
O posicionamento foi exposto esta quinta-feira (09), em Maputo, pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, na abertura da Primeira Reunião do Comité de Coordenação do Sector Agrário (CCSA), destacando que a agricultura deve ser encarada como um negócio.
“Pretendemos abordar o sector agrário como um sector de negócios – farming for business. Em lugar de o Ministério continuar a comprar e distribuir insumos, queremos que sejam os produtores a decidir o que produzir, que insumos adquirir e onde os comprar”, declarou.
Albino acrescentou que o anterior modelo de compras centralizadas foi descontinuado, assegurando que os recursos financeiros serão canalizados directamente para os produtores, através de mecanismos de financiamento inclusivos. “Mesmo aqueles que não usam facto e gravata devem poder aceder aos recursos”.
O ministro defendeu que o crédito agrário deve adequar-se ao ciclo produtivo, com juros mais baixos e prazos realistas. “O ciclo mínimo de produção é de três meses; a primeira prestação deverá ser paga após seis meses. As taxas de juro devem ser competitivas, entre 5 e 10 por cento”.
“Arroz, milho, frango, hortícolas — nenhum destes produtos suporta juros de 25 por cento. Assim não conseguimos competir com países como o Brasil ou o Vietname”.
O Governo pretende adoptar um modelo híbrido de financiamento, combinando crédito nacional, fundos de parceiros e contribuições dos beneficiários: “40 por cento de crédito nacional, 40 de parceiros e 20 de contribuição dos beneficiários”. Para jovens empreendedores agrícolas, o Estado poderá cobrir até 50 por cento do investimento.
Albino destacou a investigação científica como prioridade, defendendo investimento em sementes, vacinas e melhoramento genético adaptados às condições locais.
“A investigação deve produzir variedades próprias que garantam competitividade. O extensionista deve auxiliar o produtor a elaborar o seu plano de negócios e a perceber se aquilo que realiza lhe permite obter lucro”, acrescentou.
Considerou ainda crucial a introdução de ferramentas digitais no trabalho do campo. “Plataformas como o TikTok podem ajudar a disseminar boas práticas produtivas, em vez de gastar combustível nas motorizadas”.
Na sanidade animal e vegetal, anunciou reforço do serviço de inspecção com 30 novos inspectores e tolerância zero para insumos falsificados. “Quando afirmamos que o NPK é 12-24-12, tem de ser 12-24-12. O conteúdo activo tem de corresponder ao anunciado”.
Sublinhou a importância da coordenação intersectorial, citando colaboração com o Ministério das Obras Públicas e Recursos Hídricos na reabilitação de sistemas de irrigação. “É um desafio, mas temos de passar da planificação à acção”.
Acrescentou que a modernização agrária inclui construção de mercados rodoviários, parques agro-industriais e reabilitação de laboratórios. “O Ministério dos Transportes e Logística já está a incluir a construção de mercados em todas as estradas distritais que reabilita”.
Para Albino, o desenvolvimento agrário deve integrar medidas de adaptação às alterações climáticas. “Não podemos gastar recursos escassos em infra-estruturas que desaparecem com chuvas intensas ou ciclones. Os projectos devem incluir mecanismos de adaptação e resiliência desde a concepção”.
Até ao final do mês, o Governo partilhará com os parceiros os “compactos da Génese”, documentos estratégicos que serão apresentados na Conferência Internacional de Belém.
“Esperamos que os nossos parceiros comuniquem de forma transparente aquilo que têm disponível para apoiar o sector agrário”, concluiu, acrescentando que o encontro servirá também para “divulgar informação e alinhar compromissos financeiros”.
(AIM)
NL / sg
