Maputo, 22 Nov (AIM) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que o comércio e o investimento entre Moçambique e Zimbabwe permanecem aquém do potencial, apesar da proximidade geográfica e dos laços históricos.
Segundo a agremiação, entre 2018 e meados de 2024, Moçambique exportou para o Zimbabwe cerca de 890 milhões de dólares, mas importou apenas 161 milhões, menos de 3 por cento do total das suas transacções externas, enquanto os investimentos zimbabweanos no país se limitaram a 46 projectos avaliados em 151 milhões de dólares na última década.
Em 2022, as exportações moçambicanas atingiram 200 milhões de dólares, apesar de o fluxo global continuar considerado insuficiente pela CTA.
A avaliação foi feita este sábado (22), em Maputo, pelo Presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante o Fórum de Negócios Moçambique–Zimbabwe, tendo assegurando que o sector privado moçambicano está preparado para actuar no sentido de elevar a cooperação económica para o nível desejado.
“Vivemos um momento decisivo. As relações bilaterais entre Moçambique e Zimbabwe têm potencial para crescer muito mais. Apesar da proximidade geográfica e laços históricos profundos, o comércio e os investimentos entre os nossos países ainda não reflectem plenamente esse potencial”, afirmou.
A CTA considerou o fórum uma plataforma estratégica para transformar potencial em resultados concretos e defendeu maior dinamização dos organismos de promoção de investimentos e exportações, com enfoque especial na facilitação de negócios transfronteiriços.
Para o dirigente, os dados mostram que, o comércio e os investimentos entre os dois países ainda não reflectem plenamente o seu potencial, apesar dos 1 200 quilómetros de fronteira partilhada e de relações históricas consolidadas.
Identificou oportunidades de investimento em agro-processamento, indústria transformadora, energia, turismo e logística, sobretudo através de joint ventures e cadeias de valor integradas.
Sublinhou igualmente o papel estratégico da infra-estrutura de transporte, destacando os corredores e portos da Beira e de Maputo como vitais para o comércio zimbabweano e para os países de hinterland.
“Ao tornar estes corredores mais eficientes, reduzir custos logísticos, simplificar processos aduaneiros e digitalizar os portos, estamos a construir não apenas para Moçambique, mas para toda a SADC”, afirmou.
O Presidente da CTA destacou ainda os resultados da iniciativa da ZimTrade na Beira, que impulsionou um crescimento de 23 por cento no comércio bilateral, com particular dinamismo nos sectores da construção e da agricultura.
Para Massingue, este tipo de iniciativas demonstra a necessidade de negócios concretos, investimentos realistas e parcerias duradouras.
O Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, reforçou a importância da cooperação bilateral, recordando que Moçambique dispõe de 35 milhões de hectares de terras aráveis, abundantes recursos naturais e infra-estruturas logísticas que favorecem o acesso ao mar para países sem litoral.
Grispos destacou também que os investidores zimbabweanos podem beneficiar de isenções aduaneiras e fiscais, bem como de protecção legal, incluindo propriedade intelectual.
Mencionou ainda reformas estruturais em curso, como a nova Lei de Investimentos Privados, a revisão da Lei Cambial e da Lei do Trabalho, além de incentivos fiscais como a redução do IVA para 16 por cento e a fixação do imposto sobre o rendimento colectivo em 10 por cento para a agricultura.
“Esperamos que este evento sirva como plataforma para estimular novas trocas comerciais, incrementar investimentos e consolidar a cooperação económica entre Moçambique e Zimbabwe”, afirmou.
O encontro reuniu empresários, investidores e representantes governamentais, tendo permitido identificar novas oportunidades de parceria e promover o desenvolvimento económico conjunto.
(AIM)
NL/PC
