Estradas, danos causados pelas cheias
Chimoio (Moçambique), 26 Jan (AIM) – Cerca de quatro mil famílias da localidade de Inhazonia, no distrito de Báruè, província central de Manica, encontram-se completamente isoladas por via terrestre, na sequência do desabamento da ponte sobre o rio Inhazonia, provocado pela intensa chuva que continua a fustigar a região centro do país.
O colapso da infra-estrutura cortou a única ligação rodoviária da localidade ao resto do distrito e da província, deixando a população privada de serviços básicos essenciais, com destaque para a saúde, educação e acesso a mercados.
Com a ponte destruída, o comércio local está paralisado. Não há circulação de viaturas transportando pessoas e bens, agravando ainda mais a vulnerabilidade das famílias, que já enfrentam dificuldades para satisfazer necessidades básicas.
Além da destruição da ponte, a fúria das águas devastou extensas áreas agrícolas, afectando diversas culturas e comprometendo os meios de subsistência das comunidades locais.
Perante o cenário, o Ministro da Economia e mandatário do Presidente da República, Basílio Muhate, que trabalhou no distrito de Báruè, apelou à mobilização urgente de apoio humanitário para aliviar o sofrimento da população isolada.
“É urgente que se encontrem alternativas para ajudar aquelas famílias que, neste momento, estão isoladas do resto do distrito e da província. As famílias não têm assistência em saúde, educação e mercado”, afirmou o governante.
Segundo Muhate, o Governo distrital e provincial já está a articular respostas de emergência para prestar apoio imediato às comunidades afectadas.
“Acreditamos que estas famílias estão a passar por muitas necessidades. Por isso, a resposta deverá ser urgente para aliviar o sofrimento da população”, sublinhou.
O ministro garantiu ainda que, numa fase subsequente, será desencadeado um trabalho técnico para a reposição da ponte destruída ou abertura de vias alternativas, de modo a restabelecer a circulação de pessoas e bens.
“A ideia é reabilitar a ponte metálica ou criar desvios. Esta será uma medida paliativa. Posteriormente, faremos um exercício de mobilização de apoios para uma reabilitação definitiva, de forma a evitar situações semelhantes no futuro. Para além desta ponte, há muitas outras infra-estruturas afectadas na província de Manica”, explicou.
Desde o início da presente época chuvosa, no final de Outubro passado, as chuvas intensas acompanhadas de ventos fortes já causaram pelo menos 27 mortes na província de Manica, além de vários feridos.
As vítimas resultaram, sobretudo, de descargas atmosféricas, arrastamentos de pessoas e do desabamento de residências e outras infra-estruturas.
Basílio Muhate voltou a apelar à população para abandonar zonas consideradas de risco e procurar locais seguros.
“Notamos um abrandamento das chuvas nos últimos dias, o que é positivo, pois permite organização. No entanto, a chuva poderá voltar. É importante que a população esteja em locais seguros para evitarmos a perda de vidas humanas e bens materiais”, advertiu.
Outro sector duramente afectado é a agricultura, sobretudo a de subsistência, praticada pelo sector familiar.
“Estamos a trabalhar para que a população aproveite a segunda época da campanha agrícola 2025/26. Está em curso um levantamento para avaliar o nível das perdas. O abrandamento das chuvas cria espaço para uma melhor organização e um plano de gestão mais eficiente”, acrescentou o governante.
(AIM)
Nestor Magado (NM)/PC
