Maputo, 26 de Jan (AIM) – O Governo dos Estados Unidos da América anunciou a disponibilização de um milhão de dólares norte-americanos para assistência humanitária de emergência às vítimas das devastadoras cheias que afectam várias regiões de Moçambique.
O apoio surge numa em que o país regista mais de uma centena de mortos e milhares de famílias afectadas desde o início da época chuvosa.
A informação consta de uma mensagem divulgada pela Assistência Externa do Departamento de Estado norte-americano, através da página oficial rede social X e no Facebook oficial da Embaixada americana em Maputo.
De acordo com a nota, o financiamento visa apoiar o fornecimento de alimentos e água potável, bem como serviços de saneamento e assistência de higiene às populações mais necessitadas nas zonas fortemente afectadas.
“Manifestamos solidariedade com o povo moçambicano e estamos a acompanhar a situação em coordenação com o Governo de Moçambique, apoiando esforços para proteger comunidades e salvar vidas”, refere a comunicação oficial.
Dados oficiais indicam que, desde 1 de Outubro de 2025, período que marca o início da época chuvosa, foram registados mais de 112 óbitos, 86 feridos e cerca de 121.688 pessoas afectadas, correspondentes a 24.205 famílias em todo o território nacional.
Segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), as descargas atmosféricas continuam a liderar as causas de morte associadas às chuvas intensas, com 49 casos, representando 53,3 por cento do total de óbitos registados até ao momento.
Os afogamentos surgem em segundo lugar, seguidos da cólera e de outras causas, como o desabamento de infra-estruturas, electrocussões e quedas em cursos de água. A cólera, por si só, já provocou 26 mortes, o equivalente a 28,3 por cento do total, num universo de 1.784 casos registados, com uma taxa de letalidade de 1,5 por cento. Os restantes 17 óbitos resultam das demais causas associadas aos fenómenos climáticos extremos.
Em termos geográficos, as províncias de Nampula e Sofala concentram o maior número de mortes, seguidas por Manica e Tete, o que evidencia uma maior vulnerabilidade das regiões Centro e Norte face a eventos climáticos severos. As vítimas mortais das províncias de Maputo e Gaza, na região Sul, ainda não foram contabilizadas.
Os impactos materiais são igualmente expressivos. Pelo menos 8.792 casas ficaram parcialmente destruídas, 4.269 foram totalmente destruídas e 10.110 encontram-se inundadas. O sector social foi severamente afectado, com 223 escolas danificadas, correspondentes a 462 salas de aula, comprometendo o processo de ensino-aprendizagem de mais de 51 mil alunos.
Na componente agrícola, as chuvas afectaram 6.288 hectares de culturas, com perdas totais em 15 hectares, impactando directamente 2.820 agricultores. Cerca de 8.000 quilómetros de estradas sofreram danos significativos e pelo menos 814 animais morreram em consequência das cheias.
(AIM)
Paulino Checo
