Orcidia Vilanculos, gestora do projecto de estagios anivel do Conecta Negocios
Pemba, 15 de Fev (AIM) – O Ministério da Economia e Finanças, através da iniciativa Conecta Negócios, financiado pelo Banco Mundial, disponibilizou 1000 estágios remunerados nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, zona norte, com vista a melhorar perspectivas de empregabilidade numa região duramente afectada por conflitos que forçam deslocamento interno e escassez de oportunidade de emprego para jovens.
Numa aposta estratégica na capacitação da mão-de-obra local para responder as dinâmicas de desenvolvimento em curso naquela região, a iniciativa é vista como uma resposta concreta à falta de postos de trabalho e à necessidade urgente de qualificação da mão-de-obra local.
Lançado esta semana em Cabo Delgado, o programa surge num contexto em que dados do Instituto Nacional de Emprego indicam que cerca de 175 mil jovens com alguma formação profissional encontram-se desempregados em Cabo Delgado, fixando a taxa de desemprego em aproximadamente 16 por cento, uma das mais elevadas do país.
O cenário agrava-se perante os efeitos prolongados da instabilidade que afecta tecido empresarial e reduz significativamente a capacidade de absorção de trabalhadores.
Com um desembolso superior a um milhão de dólares norte-americanos destinado a remunerações e despesas associadas, os estágios inserem-se num pacote mais amplo de fortalecimento do desempenho das Micro, Pequenas e Médias Empresas, executado pelo projecto Conecta Negócios, orçado em mais de 100 milhões de dólares, concebido para promover ligações económicas e empresariais, fomentar a inclusão e preparar o sector privado para responder às exigências dos projectos estruturantes em curso na região.
Segundo a gestora do programa dos estágios, Orcidia Vilanculos, 70% das vagas destinam-se a província de Cabo Delgado, 20% a Nampula e 10% ao Niassa, reflectindo a vulnerabilidade específica de cada território.
“Este programa constitui uma oportunidade estruturada de aprendizagem prática, desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais e preparação sólida para o mercado trabalho. É neste enquadramento que lançamos o programa de estágios remunerados nestas províncias que enfrentam desafios estruturais, agravados pelo contexto de deslocamentos internos e fragilidade econômica”, disse a fonte.
A aposta nos estágios pagos assume particular relevância num contexto de retoma de mega-projectos na área de recursos naturais e a implementação de novas infra-estruturas industriais, investimentos que exigirão mão-de-obra qualificada e adaptada às exigências técnicas e organizacionais das cadeias produtivas.
Segundo Vilankulos, ao promover a capacitação local, o programa procura evitar a importação massiva de trabalhadores externos e assegurar que os benefícios económicos permaneçam na região.
Para a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), entidade responsável pela coordenação do programa, a iniciativa enquadra-se numa estratégia mais ampla de investimento resiliente em empoderamento económico, paz e segurança.
Ouvido pela AIM, o Chefe dos Escritórios da ADIN, Nocif Magaia, reconhece o drama do desemprego juvenil, mas manifesta optimismo quanto ao impacto do programa, estimando que cerca de 70 por cento dos estagiários possam assegurar contratos nas empresas após a conclusão do estágio.
Segundo Magaia, ADIN está igualmente a implementar um plano avaliado em 24 milhões de dólares, com potencial para criar mais de 20 mil postos de trabalho, articulado com a previsão de implantação, até 2029, de nove parques industriais nas zonas económicas especiais de Cabo Delgado.
“Estes empreendimentos deverão gerar uma procura significativa de mão-de-obra qualificada, tornando a formação prática um elemento determinante para a competitividade regional”, vincou.
O Director Provincial da Juventude e Desportos em Cabo Delgado Jonas Abujate, considerou o lançamento do programa como simbólico e estratégico, admitindo que, devido aos conflitos e outros constrangimentos estruturais, a província não conseguiu atingir as metas de emprego previstas para 2025, defendendo que os estágios remunerados constituem uma das respostas mais concretas para inverter esta tendência.
Sublinhou que, para além do impacto imediato na renda dos jovens beneficiários, os estágios pagos contribuem para aumentar a produtividade e reduzir o risco de marginalização social.
“Ao investir na formação de capital humano, o Estado e os parceiros lançam as bases para um crescimento mais inclusivo e sustentável”, salientou.
Num contexto em que a estabilidade económica depende cada vez mais da capacidade de gerar emprego qualificado, a iniciativa Conecta Negócios posiciona-se como um instrumento crucial para transformar o potencial juvenil em motor de desenvolvimento.
(AIM)
Paulino Checo/
