Maputo, 26 Fev (AIM) – A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, declarou hoje que o continente africano está pronto para liderar a construção de um sistema comercial mais justo e orientado para o desenvolvimento.
Para o efeito, defende uma posição comum na próxima conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Intervindo esta quinta-feira (26), em Maputo, durante a abertura da Reunião dos Ministros Africanos do Comércio, a governante destacou que “África está preparada para liderar, negociar e construir um sistema comercial mais equilibrado e orientado para o desenvolvimento”.
Levi sublinhou que, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, medidas unilaterais e disrupções nas cadeias de valor globais, África deve falar “numa só voz” nos fóruns internacionais, em consonância com os ideais da União Africana.
“A defesa de um sistema multilateral de comércio previsível, justo, transparente e orientado para o desenvolvimento deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade estratégica”, acrescentou.
A Primeira-Ministra, que falava em representação do Chefe de Estado, Daniel Chapo, sublinhou que o comércio constitui, para África, “um instrumento de transformação estrutural”, essencial para a segurança alimentar, industrialização, criação de emprego digno e redução da pobreza.
Segundo afirmou, apesar de o continente albergar mais de 1,5 mil milhões de habitantes, dos quais mais de 60 por cento são jovens, e deter cerca de 30 por cento das reservas minerais globais e 65 por cento das terras aráveis não cultivadas, persistem desafios estruturais significativos.
Entre os desafios figuram a insegurança alimentar, o défice energético, os baixos níveis de comércio intra-africano e a forte dependência da exportação de matérias-primas.
Levi considera histórica a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, sublinhando que esta representa a determinação do continente em construir “um mercado africano integrado e competitivo, capaz de posicionar África de forma estratégica nas cadeias de valor globais”.
A reunião de Maputo antecede a 14.ª Conferência Ministerial da OMC, a ter lugar de 26 a 29 de Março próximo, em Yaoundé, nos Camarões, e visa harmonizar posições africanas.
Para o encontro, a Primeira-Ministra defendeu que o continente deve advogar colectivamente uma reforma que preserve o princípio do consenso e restaure um sistema eficaz de resolução de litígios, assegurando que a modernização das regras globais reconheça as assimetrias estruturais das economias africanas.
Entre as prioridades apontadas figuram, ainda, uma abordagem justa nas negociações agrícolas, com vista à correcção de distorções que prejudicam os produtores africanos, bem como a promoção de um enquadramento do comércio electrónico que favoreça a inclusão digital, infra-estruturas e transferência de tecnologia.
Constam igualmente um tratamento adequado para os Países Menos Desenvolvidos, com transições graduais e previsíveis, e o reforço da coerência entre o sistema multilateral e a dinâmica da integração continental africana.
Na ocasião, Levi referiu-se, ainda, aos impactos das mudanças climáticas no país, que, na época chuvosa e ciclónica 2025-2026, foi afectado por chuvas intensas, cheias e pelo ciclone “Gezani”, atingindo mais de 800 mil pessoas e destruindo infra-estruturas públicas e privadas, agradecendo ao mesmo tempo, a solidariedade internacional prestada a Moçambique.
Por seu turno, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, reiterou que o actual contexto internacional exige maior solidariedade e coesão entre os países africanos.
“No momento internacional que vivemos, impõe-se reforçar os valores de solidariedade e coesão. A nossa união deve apresentar uma solução sólida, capaz de defender os nossos interesses comuns”, declarou.
O governante assegurou que Moçambique continuará a trabalhar em coordenação com a União Africana para harmonizar posições e fortalecer a voz africana nas negociações multilaterais, sublinhando que o comércio internacional deve constituir instrumento de criação de emprego, industrialização e desenvolvimento sustentável.
(AIM)
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