Joao Carlos Po' Jorge, Director Geral da LAM. Foto arquivo de Ferhat Momade
Maputo, 26 Fev (AIM) – O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) deteve, esta quinta-feira (26), João Carlos Pó Jorge, ex-director-geral da companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no âmbito de investigações relacionadas com alegados crimes de má gestão, peculato e corrupção.
Além de Pó Jorge, que liderou a companhia durante cerca de seis anos, foram igualmente detidos Hilário Tembe, antigo director das Operações, e Eugénio Mulungo, responsável pela Tesouraria da empresa.
Um outro alto executivo foi também detido, cuja identidade ainda não foi revelada pelas autoridades.
Na quarta-feira, o GCCC anunciou, em conferência de imprensa, a abertura de cinco processos-crime contra funcionários da LAM, envolvendo diferentes matérias e em distintas fases de tramitação.
Entre as irregularidades investigadas constam alegações ligadas à venda e aquisição de aeronaves, contratação de fornecimentos de fardamento, serviços de catering e combustíveis, bem como operações com pagamentos sem a devida justificação contratual.
As investigações abrangem ainda os contornos e a legalidade da assinatura do memorando entre a Fly Modern Ark (FMA), empresa sul-africana contratada para realizar a auditoria à LAM, e o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), no âmbito da gestão e reestruturação da companhia.
A FMA foi contratada em 2024 pelo Governo para apoiar o processo de recuperação da transportadora, tendo, durante a sua intervenção, identificado o desvio de cerca de 3,2 milhões de dólares dos cofres da empresa.
Na altura, o IGEPE confirmou a existência de desvios de fundos, incluindo a aquisição de imóveis em benefício de alguns funcionários, abertura de contas bancárias no exterior e utilização de Pontos de Venda (POS) por pessoas externas à empresa.
Outras irregularidades sob investigação incluem o aluguer de uma aeronave Boeing 737 para transporte de carga que não chegou a operar por falta de licenciamento, resultando em prejuízos ao erário público, pagamentos de passagens aéreas com posterior desvio de valores e serviços de tradução inexistentes ou sobre-facturados.
Segundo o GCCC, os factos indiciam a prática de actos susceptíveis de enquadramento nos crimes de gestão danosa, corrupção, peculato e abuso de cargo ou funções, sem prejuízo de outros ilícitos que possam emergir no decurso da instrução.
Os processos encontram-se actualmente na fase de instrução, podendo resultar em novas detenções de funcionários ligados aos alegados actos criminosos.
(AIM)
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