Director do CFM Sul, Emídio Bata em entrevista à AIM
Maputo, 16 Mar (AIM) – A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), na Zona Sul, acumula um prejuízo anual estimado em 4,5 milhões de dólares norte-americanos, resultante da política de subsídio do transporte ferroviário de passageiros nas linhas do Limpopo, Goba e Ressano Garcia, onde a empresa suporta 85 por cento do custo das passagens.
O valor pago pelos passageiros cobre apenas 15 por cento do custo real do serviço, sendo o remanescente assumido pela empresa no âmbito da sua responsabilidade social.
Os dados foram revelados pelo director do CFM Sul, Emídio Bata em entrevista à AIM.
“O CFM subsidia em 85%. Por ano, em termos de prejuízos, na Zona Sul, acumulamos cerca de 4,5 milhões de dólares”, disse Bata.
De acordo com o responsável, o transporte ferroviário de passageiros em Moçambique deve ser entendido sobretudo como uma contribuição social, e não como uma actividade orientada para o lucro.
“Não olhamos para o lucro. Então, de facto, é um prejuízo enorme para todo o sistema ferroviário do Sul”, afirmou.
Bata alertou ainda que a tarifa actualmente cobrada nem sequer cobre os custos do combustível, mas sublinhou que a empresa considera essencial manter o serviço, tendo em conta o seu impacto social e o contributo para reduzir as dificuldades que população enfrenta.
Nos últimos tempos, a procura pelo transporte ferroviário de passageiros tem vindo a crescer, obrigando a empresa a redobrar os seus esforços para responder à demanda, contribuindo para aliviar as dificuldades de mobilidade de milhares de cidadãos que recorrem diariamente ao serviço.
Segundo o director regional, o sistema ferroviário do Sul opera comboios nas linhas do Limpopo, Ressano Garcia e Goba, incluindo serviços que terminam em pontos intermédios como Manhiça, Matola-Gare, Boane e Marracuene, no quadro das acções destinadas a melhorar a mobilidade urbana e rural.
“Por exemplo, um comboio para Magude custa à volta de 400 mil meticais. Para além do serviço de longo curso, o CFM assegura igualmente ligações inter-urbanas, conectando a cidade de Maputo a Matola-Gare, Boane e Marracuene, garantindo assim a circulação de milhares de pessoas e bens”, salientou.
Em outras regiões do país, o transporte ferroviário de passageiros também se mantém activo. Na região centro, o CFM opera comboios entre a cidade da Beira e a vila de Moatize, bem como entre a Beira e a vila fronteiriça de Machipanda, nas linhas de Sena e Machipanda, respectivamente.
Já na região norte, o transporte de passageiros é assegurado pela concessionária Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), que opera nas rotas Nacala-Cuamba, Cuamba-Lichinga e Cuamba-Entre Lagos.
Segundo Bata, a empresa continua empenhada em melhorar a qualidade do serviço, apesar do peso financeiro da operação.
“O nosso compromisso e desafio é procurar formas de alocar mais meios para que possamos realizar este serviço essencial para a nossa população com a necessária comodidade, segurança e eficiência. Trata-se de um desafio complexo face aos crescentes custos que esta operação acarreta, mas não nos devemos furtar da nossa responsabilidade neste domínio de serviço público”, vincou.
Nos últimos dois anos, o CFM tem realizado investimentos significativos na modernização do sistema ferroviário, com destaque para a aquisição de novos equipamentos destinados a melhorar o transporte de pessoas e bens.
Entre os projectos em curso destaca-se a aquisição de quatro locomotivas, destinada a aumentar a capacidade de tracção no transporte de carga e passageiros nas três regiões do país, num investimento avaliado em oito milhões de dólares.
A empresa também adquiriu 10 locomotivas para o CFM Sul, num contrato no valor de 34,49 milhões de dólares, visando reforçar a capacidade operacional das linhas da região.
Outro investimento relevante é a aquisição de 300 vagões de bordas altas, destinados a aumentar a capacidade de transporte seguro de carga, num contrato de 26,85 milhões de dólares, respondendo ao crescimento da procura no mercado e à reabilitação das principais linhas do sistema ferroviário nacional.
(AIM)
Paulino Checo/sg
