Presidente da República, Daniel Chapo (esquerda), reúne-se com representantes da comunidade moçambicana no Quénia
Maputo, 25 Mar (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, comprometeu-se esta quarta-feira (25), em Nairobi, a regularizar a situação civil dos moçambicanos residentes no Quénia, através do envio de brigadas móveis para emissão de Bilhetes de Identidade e passaportes, uma iniciativa que visa reduzir o risco de apátrida e melhorar o acesso a serviços essenciais, como a educação.
Durante o encontro mantido com líderes da comunidade, Chapo classificou os cidadãos no exterior como “embaixadores incontornáveis” da identidade nacional, destacando o seu papel na promoção da cultura e na diplomacia económica.
“Expressamos o nosso profundo reconhecimento pelo vosso papel como verdadeiros embaixadores de Moçambique aqui no Quénia. Como vimos na dança Mapiko, todos nós nos sentimos em casa”, declarou.
Sublinhou ainda que a criação de uma Secretaria de Estado dedicada às comunidades moçambicanas evidencia a prioridade do Governo em relação à diáspora.
A visita surge em resposta a um convite formulado pelo Presidente queniano, William Ruto, e visa reforçar laços históricos e explorar novas oportunidades económicas. Chapo destacou a sua participação como convidado de honra na Conferência Internacional de Investimento no Quénia, considerando o evento fundamental para mobilizar investimentos para ambos os países.
“É uma oportunidade para mobilizar recursos não só para o Quénia, mas também para Moçambique”, disse, apelando aos empresários moçambicanos a explorarem o mercado queniano.
No plano interno, o Presidente apresentou um quadro de estabilidade macroeconómica e política, assegurando o normal funcionamento das instituições no actual ciclo de governação, centrado na boa governação e no Estado de Direito.
“Estamos a levar a cabo o Diálogo Nacional Inclusivo, que visa reforçar a paz, a unidade nacional e a reconciliação, com a participação activa de todos os segmentos da sociedade”, explicou.
Chapo abordou ainda os projectos estratégicos, incluindo o gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, e iniciativas de desenvolvimento sustentável, essenciais para a redução da pobreza.
Reconheceu os desafios do terrorismo em Cabo Delgado e os impactos de eventos climáticos que, desde Outubro, afectaram vários milhares de pessoas e provocaram mais de 200 mortos.
Os representantes da comunidade no Quénia destacaram a vulnerabilidade de muitos cidadãos sem documentação, com dificuldades no acesso à educação, bolsas de estudo e propriedade de terra.
“Vamos organizar brigadas de registo civil para emitir Bilhetes de Identidade e passaportes em Mombaça e em Nairobi, assim como noutros locais, para atender os nossos irmãos”, assegurou.
O Presidente partilhou ainda o elogio do homólogo queniano à comunidade moçambicana: “Os moçambicanos que vivem no Quénia são pacíficos, ordeiros e respeitam a lei. São pessoas que merecem orgulho”. Incentivou a organização da diáspora em associações e a sua participação na diplomacia económica e cultural.
“O nosso país precisa do contributo de todos os filhos de Moçambique, incluindo os que vivem na diáspora, para acelerar o crescimento, gerar emprego, especialmente para a juventude, e combater a pobreza de forma sustentável”, afirmou.
Chapo reiterou o compromisso do Governo em apoiar a integração da diáspora. “Por mais que estejamos no Quénia há muitos anos, o nosso coração, espírito e alma permanecem em Moçambique”, concluiu, garantindo a legalização da residência da comunidade e oportunidades iguais para as futuras gerações.
(AIM)
NL/ sg
